Nunca fui muito fã de quadrinhos de faroeste. Li alguma coisa de Tenente Blueberry, um pouco mais de Jonah Hex e quase nada de Tex.Motivado pelas recentes notícias da vinda de Fabio Civitelli ao Brasil, decidi tirar o atraso e, num golpe de sorte, encontrei numa banca de jornais o primeiro número de Tex em Cores, O Totem Misterioso, lançado há exato um ano.
A revista é ideal para principiantes como eu. Reproduz as primeiras histórias do cowboy na ordem em que foram publicadas, a partir de 1948. A arte de Aurelio Galleppini é de encher os olhos e Gian Luigi Bonelli sabia como prender o leitor.
Suas tramas vão se intercalando e sucedendo naturalmente, sem rupturas, expondo o pistoleiro de caráter inquestionável a toda sorte de ameaças. Considerando as condições em que eram produzidas, é de se esperar que de vez em o roteiro ofereça alguma solução pouco original.
Nas primeiras histórias, em mais de uma oportunidade, Tex é subjugado pelos vilões e estes, em vez de meterem uma bala na sua cabeça, inventam armadilhas no melhor estilo do seriado sessentista do Batman.
Engraçado também é reparar o quanto a mira de Tex é sempre certeira, enquanto a de seus inimigos raramente o é. Mas em relação a isto, Bonelli se redime na história Um Contra Vinte, em que o pistoleiro enfrenta mais de vinte homens armados e acaba bastante ferido.
O material, publicado originalmente em formato de tiras com três quadros, foi totalmente colorizado pela Editora Bonelli em 2007. Em texto do próprio Sergio Bonelli – filho de Gian Luigi e hoje dono da editora – ele afirma que fez questão de manter a arte o mais próximo possível do original, inclusive os cachorrinhos e outros bichos que Galleppini desenhava em momentos de descontração para preencher os recordatórios verticais.
A Mythos caprichou na edição. Além da cor e do papel especial, incluiu esta introdução de Bonelli e outra de Julio Schneider sobre a origem e a importância de Tex para os quadrinhos italianos e ocidentais.
Se há um senão neste Tex em Cores 1 é a decisão editorial de manter a publicação com exatas 240 páginas de quadrinhos – o que significa que a última história é interrompida no meio. O leitor, em princípio, não pode reclamar já que o alerta é feito logo na página 4; porém, não deixa de ser decepcionante.
Tex em Cores já está no sexto volume e, parece, mantém a qualidade. O Totem Misterioso tem 252 páginas e preço de R$ 24,90. Vale o investimento e as várias horas de leitura divertida.

