terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Papo de Quadrinho viu: Planet Hulk

Para manter a tradição de respeito aos leitores deste blog, esta essa nota não contém spoilers.

A mais recente investida da Marvel em animações diretamente para consumo doméstico (DVD e Blu-Ray) chegou às lojas norte-americanas no dia 2 de fevereiro.

O desenho é baseado na HQ homônima escrita por Greg Pak e publicada na revista Incredible Hulk 92 a 105, de 2006 (no Brasil, saiu pela Panini em Universo Marvel 27 a 34).

A história conta como o Gigante Esmeralda foi exilado da Terra pelo grupo Illuminati (Homem de Ferro, Raio Negro, Professor Xavier, Senhor Fantástico e Namor, este último contrário à decisão) e foi parar no planeta arena de Sakaar, onde se tornou um gladiador imbatível e, mais tarde, monarca.

Os editores do Papo de Quadrinho tiveram acesso ao desenho e chegaram a conclusões distintas, porém complementares. Acompanhe aqui as resenhas.

Deixa a desejar

Por Jota Silvestre

Planet Hulk foi lançado com grande estardalhaço pela Marvel. Anunciado na San Diego Comic Con em julho de 2008, o desenho ganhou uma premiére no dia 14 de janeiro, com patrocínio da New York Comic Con e do site Newsarama, e presença do staff da Marvel (inclusive o roteirista Greg Pak) e da Lionsgate.

Infelizmente, o resultado decepciona. Tecnicamente, não é ruim, mas também não é um primor. O problema mesmo é o enredo.

Em que pesem as mudanças necessárias – afinal, é uma adaptação – há um retcon totalmente desnecessário que envolve Bill Raio Beta e a vinda do povo de pedra do gladiador Korg à Terra.

O problema maior de Planet Hulk, porém, não tem a ver com a fidelidade em relação aos quadrinhos em que se baseia, mas com a trama propriamente dita. As cenas de ação são poucas, quase inteiramente confinadas à arena; os constantes flashbacks deixam a trama arrastada e algumas situações mais "emocionais" beiram a pieguice.

Em resumo: em todos os aspectos Planet Hulk perde de longe para a animação anterior, Hulk Vs. Esta sim, mostra o Gigante Esmeralda no auge de sua fúria, em confrontos memoráveis com Thor e Wolverine.

Mas há aspectos positivos em Planet Hulk que merecem ser destacados. Primeiro, o fato de a Marvel estar correndo atrás de um mercado ainda dominado pela DC; quem ganha com a concorrência são os fãs.

Segundo: não é uma exclusividade da Marvel, mas é interessante notar que ganha força a adaptação animada de minisséries e arcos de histórias. Fico torcendo por um desenho de Guerra Civil ou Dinastia M.


Vale a pena conferir

Por Társis Salvatore

Planet Hulk foi adaptado da série homônima dos quadrinhos. É uma boa aposta da Marvel que busca melhorar sua posição no mercado doméstico de desenhos longa-metragem, onde a DC lidera com folga.

Mesmo que não chegue a empolgar, o desenho é diversão garantida! Tecnicamente impecável, Hulk é fielmente retratado como uma criatura amargurada e incompreendida, cuja fúria não pode ser contida onde quer que ele esteja.

As cenas de combate são empolgantes e violentas. As mudanças do roteiro em relação ao gibi são pequenas e foram necessárias por razões óbvias.. Ainda assim, enxugar o roteiro não comprometeu a história.

A curiosidade fica por conta de super-heróis escondidos nas cenas em que é mostrada a platéia. São diversos heróis “espaciais” da Marvel. Desafio os leitores a encontrá-los.

Talvez o único demérito seja o fato de Planeta Hulk ter um final sem o link com a série seguinte. Afinal, essa saga é uma introdução à aventura Hulk contra o Mundo, este sim um arco que afetou todas as revistas da Marvel e mobilizou os principais heróis da Marvel. Embora funcione bem como desenho solo, os fãs e iniciados que acompanharam as agruras do Gigante Esmeralda no gibi vão sentir falta desse gancho. Prefiro evitar fazer comparações demais, pois o desenho costuma sair perdendo na comparação com os quadrinhos.

Em resumo: é uma animação que, embora não seja excepcional, vale a pena conferir, sobretudo pelo tratamento fiel que é dado ao Hulk.

E para não dizer que discordo totalmente do Jota, também fico torcendo para a Marvel lançar outros arcos em desenho animado. Com a chegada do expertise da Disney, podemos apostar que teremos boas novidades pela frente.

7 comentários:

Mutante X disse...

O problema não é que o desenho seja ruim. A HISTÓRIA é que é. Tanto Planeta Hulk como Hulk contra o Mundo foram dois arcos arrastados, sem sentido e totalmente dispensáveis na cronologia do Gigante Verde, da mesma forma que a fase da Encruzilhada. Às vezes eu penso que a Marvel não sabe o que fazer com o Hulk...

Ricardo Quartim disse...

Mesmo que Planeta Hulk não seja um primor, pelo menos inaugura na Marvel a mesma idéia que a DC já inaugurou com "Batman e Superman Inimígos Públicos", a de pegar um arco fechado e fazer uma animação. Devemos dar crédito que esta é a primeira da Marvel nesse sentido e espero que vá melhorando com o tempo.E que venham Guerra Civil, Dinastia M,etc...

kamikase disse...

Acho que arco arrastado é plenonasmo, mano.
Arco existe pra vender e para contar histórias mais longas. Eu curti mesmo o Planeta Hulk, não acho que foi dispensável. Se fosse assim as demais histórias do Hulk no espaço nem teriam vez. Achei o desenho muito da hora. Como o texto diz, faltou continuar com Kunk contra o Mundo, final feliz pro Hulk é que ficou mal. Vlw

Mutante X disse...

Entendo sua posição, kamikase. Mas eu entendo que há arcos que são bem desenvolvidos e empolgados. Outros arcos não se sustentam e se arrastam por meses, só pra vender a revista, mas consistência na história não existe. É o caso de Planeta Hulk. Além do mais, convenhamos: o Hulk não é nem nunca foi um herói espacial. Deixe esse tipo de história para o Capitão Marvel ou para o Surfista Prateado.
Também concordo com o Ricardo, que disse sobre os arcos fechados em DVD. Tomara mesmo que venham mais!

fellipe7 disse...

Não concordo que planeta hulk é um arco arrastado. Novo Kripton está muito mais arrastado e os fãs do Superman não reclama.
O fato é que há tempos que ninguém dava atenção ao verdão e foi interessante ver toda a passagem dele de gladiador e pária a um rei de um planeta que ten inúmeras raças e ideologias diferentes.
Só achei o desenho fraco justamente por que não deu para explorar bem isso.

Anônimo disse...

Sensacional, uma das melhores hitórias do Hulk, e olha que eu acompanho o Hulk desde a época da RGE, e tenho revistas desde 1979 do Gigante Verde, já fazia tempo que estavam devendo uma história descente para o Hulk, foram tiradas algumas partes com relação a revista, mas o nível ficou bem alto, o desenho vale a pena porque é muito bom.

Blog do Gersônico disse...

Assisti ontem o Planeta Hulk. Não sou versado em quadrinhos, acompanho pouca coisa e lááááá de vez em quando. O filme tem umas pitadas de "O Gladiador" (sabe como é, o cara colocado numa arena pra se lascar e acaba virando o jogo e arrebentando tudo) com um tanto mais de poder de destruição, nem podia ser diferente (afinal, estamos falando do Hulk, não é pouca coisa!). Eu gostei, o vilão é daqueles de dar raiva na gente, o que sempre é necessário para se ter alguma trama (não é vilão insignificante, como o Darth Maul, por exemplo), só faltou o final ter deixado um gancho pra uma próxima aventura, sei lá. O Hulk, como novo "governante" de Sakaar, deveria proteger o planeta de ameaças, algo assim. E viva o Hulk!