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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Cartum pornográfico em prova de Geografia

Atualizado em 22/11

Ouvido na CBN Curitiba.

A imagem ao lado estampou uma avaliação para crianças entre 6 e 7 anos da rede pública de ensino em Curitiba.

A CBN Curitiba disponibilizou o link para o áudio da reportagem de Álvaro Borba (formato do áudio: .wma).

A reportagem ouviu um especialista, que aproveitou para criticar o uso dos quadrinhos na Educação. Segundo ele, as crianças brasileiras já têm dificuldade em interpretar textos e o uso de cartuns não colabora.

O desenho de Dan Collins, colaborador da revista masculina Hustler, não deixa dúvidas. Difícil é saber se crianças nesta idade entenderam a piada, mas isso não justifica a falha.

Fico imaginando o que passa na cabeça do educador que faz uma coisa dessas: desatenção, incompetência ou um senso de humor doentio?


A pedido de um leitor, complemento a nota com a imagem abaixo, que mostra em que contexto o cartum foi utilizado na prova (é a primeira de cima, à direita).

Photobucket

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Obra de Will Eisner recolhida no Espírito Santo

Tava demorando. Desde a confusão com a HQ Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol – distribuída a alunos de faixa etária inadequada nas escolas paulistas – que muita gente se preocupou com um possível retrocesso no uso dos quadrinhos na sala de aula.

O caso de Vila Velha (ES) é um pouco diferente. Segundo o site G1, um aluno de 12 anos recorreu à biblioteca de sua escola para concluir uma redação.

Foi-lhe entregue O Nome do Jogo, de Will Eisner, uma graphic novel para leitores adultos e que, mesmo não tendo nada de pornográfica, chocou a mãe do menino pelas “cenas de sexo, violência e embriaguez” e pelo uso de “linguagem pesada, grosseira e cheia de palavrões”.

A Secretaria de Educação de Vila Velha informou que todos os exemplares da HQ serão recolhidas da rede municipal e devolvidas ao MEC.

É aí que o fato começa a assustar pelo exagero.

A culpa não é do menino, claro. Nem da bibliotecária; segundo uma amiga que exerce essa profissão, idade não é critério de empréstimo e, em qualquer biblioteca, o acesso à informação (sem censura de qualquer tipo) deve prevalecer. “É claro que sempre orientamos o aluno para emprestar algo adequado para sua idade, mas não há como obrigar”, me disse ela.

A culpa também não é da mãe, que só quer o melhor para seu filho (apesar de que, para mim, a reação foi exagerada. As novelas hoje em dia têm cenas de “sexo, violência e embriaguez” muito mais pesadas que O Nome do Jogo e vez ou outra os microfones dos estádios captam a “linguagem pesada, grosseira e cheia de palavrões” de técnicos, jogadores e torcedores).

Então, culpe-se Will Eisner, ou melhor, sua obra. Não tivesse sido essa a conclusão das autoridades, a Secretaria de Educação não teria mandado recolher o livro.

Um triste desfecho para um triste episódio. Pena.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Revolução Constitucionalista em Quadrinhos

A adaptação de obras literárias ou passagens da História brasileira têm se mostrado cada vez mais como uma alternativa economicamente viável para a produção nacional de quadrinhos.

O exemplo mais recente é Revolução Constitucionalista de 1932 em Quadrinhos, escrita e ilustrada pelo cartunista Maurício Pestana, que tem lançamento amanhã (8), às 19h, no Museu Afro Brasil.

O projeto foi uma encomenda da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo a Pestana, que tem grande experiência na produção de material didático. Segundo informa a assessoria, o novo livro já está garantido nas salas de aula da rede estadual de ensino para crianças a partir de 9 anos.

A Revolução Constitucionalista de 1932 foi um levante armado de parte da população de São Paulo contra o governo provisório de Getúlio Vargas e a favor de uma nova Constituição. Mesmo derrotados pelas forças governistas, os revoltosos deixaram como legado a convocação de uma Assembleia Constituinte no ano seguinte e a Constituição de 1934.

Nesta adaptação, os fatos são contados de uma criança para outra – uma técnica para promover a identificação do público-alvo com a história. Do mesmo modo, o autor buscou fazer a ponte entre alguns elementos do fato histórico com o cotidiano dos paulistanos, como as avenidas Nove de Julho (data de início do conflito) e 23 de Maio (dia em que os jovens Martins, Miragaia, Drausio e Camargo foram mortos num confronto pré-revolução).

SERVIÇO:
Revolução Constitucionalista de 1932 em Quadrinhos
Roteiro e Arte: Maurício Pestana
32 páginas
R$ 12,00
Lançamento: 8 de julho, 19h, Museu Afro Brasil (Parque Ibirapuera, Pavilhão Manoel da Nóbrega)

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Mais um livro distribuído indevidamente nas escolas de São Paulo

Há algo muito errado acontecendo na Secretaria de Educação do Estado...

A notícia só interessa aos leitores deste blog por sua relação com a polêmica de Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol, já que a bola da vez é o livro Poesia do Dia-Poetas de Hoje para Leitores de Agora.

Matéira publicada hoje no jornal Folha de São Paulo (link disponível apenas para assinantes do Uol e da Folha), assinada pelo repórter Fábio Takahashi, dá conta que mais um livro foi distribuído indevidamente a crianças da terceira série do ensino fundamental das escolas públicas de São Paulo.

Da mesma forma que em “Dez na Área...”, o problema, obviamente, não está no conteúdo, voltado para adolescentes de 13 anos, e sim na inadequação à faixa etária (crianças por volta de 9 anos).

Em menos de dez dias, é a segunda ocorrência denunciada pelo mesmo jornal (não estou contabilizando o livro de geografia que trazia dois “Paraguais” porque é um caso de erro de impressão e não de avaliação do conteúdo).

Um dos poemas de Poesia do Dia-Poetas de Hoje para Leitores de Agora, "Manual de Auto-Ajuda para Supervilões", emprega, ironicamente, passagens como "Tome drogas, pois é sempre aconselhável ver o panorama do alto" e "Odeie. Assim, por esporte".

"Não é para crianças de nove anos. São várias ironias, que elas não entendem", disse o autor do poema, Joca Reiners Terron, à Folha.

Ao contrário de Dez na Área..., os 1.333 exemplares de Poesias do Dia... não serão recolhidos, apenas retirados das salas de aula e mantidos para consulta por alunos mais velhos.

A diretora da fundação da Secretaria de Educação responsável pela compra, Claudia Aratangy, diz que o programa de distribuição de livros pelo governo estadual “precisa de ajustes”. "Foi feita análise, mas algumas coisas passaram", declarou.

Sei...

Será que, de novo, o governador José Serra vai dizer que o livro é “um horror” ou admitir que horríveis são os critérios de seleção da sua secretaria?

quinta-feira, 21 de maio de 2009

A polêmica de "Dez na Área..."

Foi uma trapalhada sem tamanho. E quem pagou o pato? Os quadrinhos, claro!

Para quem não vem acompanhando a polêmica em torno de Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol, um pequeno retrospecto:

O governo paulista adquiriu 1.216 exemplares desta HQ para distribuição a alunos da terceira série do ensino fundamental – na faixa de 9 anos de idade. Acontece que o livro lançado pela Via Lettera em 2002 não é indicado para esta faixa etária, tanto pelo teor das histórias quanto pela linguagem empregada. O erro foi percebido e as HQs recolhidas.

Mas o dano para a imagem dos quadrinhos já estava feito e, da forma como foi conduzido, pode representar um retrocesso no uso desta linguagem nas salas de aula e como ferramenta de educação e incentivo à leitura.

Houve, claramente, um erro de avaliação por parte de quem selecionou a obra. Em entrevistas, o governador José Serra garantiu que será aberta uma sindicância e que os responsáveis serão punidos. O resultado deve sair em 30 dias.

Tivesse o caso parado por aí, tudo bem. Só que a polêmica se espalhou como um rastilho de pólvora na mídia e, com raras exceções, limitada a informar que o governo distribuiu HQs “com palavrões” para os alunos da rede pública.

Ontem (20), o cartunista JAL, em nome da Associação dos Cartunistas do Brasil (ACB), emitiu nota chamando atenção para isto: “A Associação dos Cartunistas do Brasil, que vem participando por anos da luta pelo reconhecimento do autor brasileiro na área dos quadrinhos e humor gráfico, não pode deixar de dizer que as informações colocadas, dessa forma na mídia, podem depor contra um trabalho sério nas escolas de utilização de publicações de quadrinhos como ferramenta de incentivo à leitura e cultura nacional”.

Neste sentido, em nada ajudaram as declarações de José Serra. Ele admitiu o erro de seu governo em selecionar uma obra inadequada para a idade dos alunos, mas não se furtou a dividir a responsabilidade com os autores do livro. Entre outras coisas, chamou-o de “mau gosto”, “de conteúdo ruim” e “desagradável”. Enfim, nas palavras dele, “um horror”.

Em apenas um mês, Serra atacou dois dos meu vícios: o cigarro e os quadrinhos. Começo a colocar em cheque minha decisão de votar nele numa possível candidatura à presidência da República.