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sábado, 23 de abril de 2011

Biografia de Fidel Castro em quadrinhos tenta manter o equilíbrio

Quando divulgou o lançamento de Castro, da editora 8Inverso, este editor se comprometeu a retornar ao assunto depois de ler a obra e confirmar, ou não, se ela fazia apologia ao regime autoritário de Cuba.

O autor Reinhard Kleist tenta manter um certo equilíbrio e distanciamento. Não à toa, escolheu a figura fictícia de um repórter fotográfico para fazer o papel de testemunha ocular e narrador dos fatos.

Por meio de entrevistas com os rebeldes, já instalados na Sierra Maestra, Karl Mertens toma conhecimento da infância de Fidel e de como ele passou de filho de filho de latifundiário a líder do bem sucedido levante que culminou na tomada de poder em Cuba.

A Revolução Cubana é mesmo um feito incrível e merece figurar nos livros de História. Sob o governo inconstitucional de Fugêncio Batista, a ilha havia se transformado no bordel dos Estados Unidos e da própria máfia americana às custas do sofrimento de toda a população pobre. Foi um pequeno grupo de rebeldes que transformou a desvantagem em vitória e se propôs a promover o bem estar social.

Por isso mesmo, Castro dedica a maior parte de suas páginas a vida pregressa de Fidel, aos preparativos do levante e aos primeiros anos do novo governo.

Foi a partir do embargo americano a Cuba, acirrado após o assassinato do presidente Kennedy, da tentativa de golpe na Baía dos Porcos e da crise dos mísseis soviéticos que o governo revolucionário alinhou-se à União Soviética e sucumbiu à tentação dos regimes autoritários: o poder corrompe, e poder absoluto corrompe de forma absoluta.

Kleist não ignora este fato e demonstra como os próprios companheiros de Fidel na Sierra Maestra passaram a ser perseguidos, seja por sua orientação sexual seja por suas ideias liberais.

O curioso na narrativa de Kleist é que justamente Karl, um estrangeiro, é um dos poucos de seu grupo que mantém a visão romântica da revolução e se recusa a admitir que seus ideais foram deixados de lado.

As execuções sumárias nos primeiros meses da revolução, a propaganda ideológica, a vida precária a que a população foi submetida, tudo isso é apresentado em Castro, porém sem o mesmo destaque que os atos “heróicos” que os antecederam.

No final, com Fidel já afastado do poder pela doença, Kleist faz uma tentativa de redimir o velho ditador ao lhe atribuir a frase dita por Simon Bolívar e que encerra a obra: “Aquele que serve a uma revolução ara o mar”.

Pessoalmente, prefiro a frase do poeta mexicano Octavio Paz que abre a edição brasileira: “Ao assumir o poder, o revolucionário assume a injustiça do poder”.

A obra é recomendada inclusive para que cada leitor tire suas conclusões. A pesquisa história é muito bem feita e Kleist tem ótimo domínio da narrativa gráfica, além de um traço elegante muito competente em reproduzir as características dos personagens e dos cenários.

Castro é o terceiro título do selo 8Inverso Graphics – os outros dois são Johnny Cash – Uma Biografia e Elvis, todos de Reinhard Kleist -, tem 228 páginas e custa R$ 51.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A vida de Fidel Castro em quadrinhos

Conforme antecipado pelo Papo de Quadrinho, a editora gaúcha 8Inverso confirma para março a biografia em quadrinhos do ditador cubano.

Castro, escrita e desenhada pelo alemão Reinhard Kleist, parte da fictícia viagem de um jornalista à Cuba em 1958 para pesquisar a vida do rebelde Fidel Castro e, de repente, torna-se testemunha ocular da revolução que iria mudar a vida da ilha.

A partir daí, a HQ cobre a vida de Fidel Castro desde a tomada do poder até o recente afastamento por motivos de saúde. Para produzir a obra, Kleist passou um mês em Cuba, em 2008 – o que deu origem a outro livro em quadrinhos, Havana.

Lançada no Brasil apenas cinco meses depois de sair na Alemanha, Castro tem prefácio do jornalista alemão e biógrafo de Fidel Castro, Volker Skierka, também colaborador na pesquisa histórica.

Não li a HQ ainda para fazer qualquer julgamento. Entendo que nem todo autor é Joe Sacco (Palestina, Notas sobre Gaza) e nem todo quadrinho histórico se propõe a fazer jornalismo.

Porém, é comum este tipo de obra romantizar movimentos sociais ao destacar apenas suas benesses e omitir os problemas inerentes a todo regime autoritário – ainda mais o de Cuba, que já dura mais de 50 anos.

Assim que tiver acesso à HQ, Papo de Quadrinho vai publicar uma resenha confirmando ou desmentindo esta primeira impressão.

Castro é o terceiro título do selo 8Inverso Graphics – os outros dois são Johnny Cash – Uma Biografia e Elvis, todos de Reinhard Kleist. O lançamento tem 228 páginas e vai custar R$ 51.