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quinta-feira, 5 de maio de 2011

Duke Nukem vai virar HQ



A primeira versão do famoso videogame remonta a 1991 e rodava em PCs (foi a única que este editor jogou até hoje).

Depois vieram as sequências Duke Nukem II e Duke Nukem 3D e finalmente, passados 14 anos do primeiro anúncio, este ano chegará às lojas Duke Nukem: Forever para os consoles Playstation 3 e X-Box 360.

Na onda da divulgação do novo game, a IDW uniu-se à Gearbox para lançar a minissérie em quatro edições Duke Nukem: Glorious Bastard, escrita por Tom Waltz e desenhada pelo artista catalão Xermanico (Alejandro Germánico Benit).

Os autores também produziram a edição especial Duke Nukem Forever: Balls of Steel que virá encartada exclusivamente no jogo.

“Duke Nunkem é o tipo de personagem sob medida para os quadrinhos. Ele é o maioral, bombástico, rude e não tem um osso politicamente correto naquele corpo musculoso” (Tom Waltz).

Duken Nukem: Glorious Bastard chega às lojas dos Estados Unidos em julho.

sábado, 23 de abril de 2011

Biografia de Fidel Castro em quadrinhos tenta manter o equilíbrio

Quando divulgou o lançamento de Castro, da editora 8Inverso, este editor se comprometeu a retornar ao assunto depois de ler a obra e confirmar, ou não, se ela fazia apologia ao regime autoritário de Cuba.

O autor Reinhard Kleist tenta manter um certo equilíbrio e distanciamento. Não à toa, escolheu a figura fictícia de um repórter fotográfico para fazer o papel de testemunha ocular e narrador dos fatos.

Por meio de entrevistas com os rebeldes, já instalados na Sierra Maestra, Karl Mertens toma conhecimento da infância de Fidel e de como ele passou de filho de filho de latifundiário a líder do bem sucedido levante que culminou na tomada de poder em Cuba.

A Revolução Cubana é mesmo um feito incrível e merece figurar nos livros de História. Sob o governo inconstitucional de Fugêncio Batista, a ilha havia se transformado no bordel dos Estados Unidos e da própria máfia americana às custas do sofrimento de toda a população pobre. Foi um pequeno grupo de rebeldes que transformou a desvantagem em vitória e se propôs a promover o bem estar social.

Por isso mesmo, Castro dedica a maior parte de suas páginas a vida pregressa de Fidel, aos preparativos do levante e aos primeiros anos do novo governo.

Foi a partir do embargo americano a Cuba, acirrado após o assassinato do presidente Kennedy, da tentativa de golpe na Baía dos Porcos e da crise dos mísseis soviéticos que o governo revolucionário alinhou-se à União Soviética e sucumbiu à tentação dos regimes autoritários: o poder corrompe, e poder absoluto corrompe de forma absoluta.

Kleist não ignora este fato e demonstra como os próprios companheiros de Fidel na Sierra Maestra passaram a ser perseguidos, seja por sua orientação sexual seja por suas ideias liberais.

O curioso na narrativa de Kleist é que justamente Karl, um estrangeiro, é um dos poucos de seu grupo que mantém a visão romântica da revolução e se recusa a admitir que seus ideais foram deixados de lado.

As execuções sumárias nos primeiros meses da revolução, a propaganda ideológica, a vida precária a que a população foi submetida, tudo isso é apresentado em Castro, porém sem o mesmo destaque que os atos “heróicos” que os antecederam.

No final, com Fidel já afastado do poder pela doença, Kleist faz uma tentativa de redimir o velho ditador ao lhe atribuir a frase dita por Simon Bolívar e que encerra a obra: “Aquele que serve a uma revolução ara o mar”.

Pessoalmente, prefiro a frase do poeta mexicano Octavio Paz que abre a edição brasileira: “Ao assumir o poder, o revolucionário assume a injustiça do poder”.

A obra é recomendada inclusive para que cada leitor tire suas conclusões. A pesquisa história é muito bem feita e Kleist tem ótimo domínio da narrativa gráfica, além de um traço elegante muito competente em reproduzir as características dos personagens e dos cenários.

Castro é o terceiro título do selo 8Inverso Graphics – os outros dois são Johnny Cash – Uma Biografia e Elvis, todos de Reinhard Kleist -, tem 228 páginas e custa R$ 51.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Ultiverso terá novo Homem-Aranha

No final do ano passado, a Marvel anunciou a morte do herói no Universo Ultimate – uma linha alternativa de revistas lançada em 2000.

A saga vem sendo publicada desde fevereiro na revista Ultimate Comics Spider-Man e na minissérie Ultimate Comics Avengers vs. New Ultimates, e conduzida por dois dos principais nomes da editora, Michael Bendis e Mark Millar. A tragédia terá seu ápice na edição 160 do título do Homem-Aranha Ultimate, em junho, nos Estados Unidos.

Esta semana, a editora divulgou a imagem promocional ao lado e anunciou o que virá a seguir: a identidade do herói aracnídeo será assumida por outro personagem do Ultiverso, que passará a vestir um novo uniforme.

O Universo Ultimate foi criado para recontar a origem dos principais heróis Marvel e introduzir uma nova geração de leitores. Onze anos depois, a cronologia desta realidade alternativa ficou bastante complexa e, infelizmente, se deixou seduzir pelo argumento sensacionalista das mortes e ressurreições.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Vale o Investimento: Hellblazer (John Constantine) "Pandemônio"


John Constantine é um mago que ocupa um lugar de destaque na galeria dos maiores canalhas e anti-heróis do quadrinhos.

Não cansa de fazer sucesso e ter boas histórias lançadas desde que foi criado por Alan Moore em 1985, como um coadjuvante para o Monstro do Pântano; um mago com a aparência do cantor Sting e fumante inveterado.

Desde sua primeira aparição (Monstro do Pântano 37) até hoje, suas agruras e maldições são inversamente proporcionais a seu grande sucesso de crítica e público, o que já lhe rendeu até uma adaptação para o cinema e para os games em 2005.

Comemorando o aniversário de 25 anos de sua chegadas às HQs, Constantine aparece nas bancas brasucas em "Pandemônio", uma história do roteirista original (praticamente um cocriador) Jamie Delano e a arte sofisticada do desenhista Jock.

O volume encadernado traz uma história completa, em que Constantine se vê preso à enigmática figura de uma mulher vestindo uma burca (vestimenta tradicional que cobre completamente o corpo) que o leva ao roubo de um artefato sumério e, posteriormente, ao caos do campo de batalha no Iraque e seus antigos deuses que pareciam esquecidos.

Densa e chocante, o conflito místico sai dos submundos de Londres e chega ao deserto em guerra, com seu moedor de carne infernal.

Uma guerra é um jogo imprevisível. E jogar faz parte da própria humanidade e da vida de Constantine. Por isso, a guerra do Iraque e a ofensiva militar contra células terroristas serve de pano de fundo para fazer uma ligação entre os horrores da batalha moderna e a trilha de sangue que faz parte da vida de Constantine, com suas intersecções malditas e sua luta contra as forças abissais.

Hellblazer: Pandemônio (Panini) tem 132 páginas impressas em papel LWC com lombada quadrada e custa R$ 19,90. Vale o investimento!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A volta da Luluzinha clássica

Depois de quase dois anos do bem sucedido lançamento da versão adolescente da famosa personagem e sua turma, a Pixel decidiu investir no original.

Chega hoje às bancas a primeira edição de Luluzinha, publicação mensal em formatinho (13,5 x 19 cm), miolo em papel jornal e preço de R$ 3,10.

A revista nacional terá o mesmo conteúdo das coletâneas em formato de livro que a Dark Horse vem publicando nos Estados Unidos, todas reedições de material clássico.

A diferença é que a publicação da Pixel será colorizada no Brasil e, no início, trará material praticamente inédito – já que algumas histórias só serão relançadas nos Estados Unidos em maio.

O foco da editora são crianças de 6 a 10 anos, mas não há dúvida de que deve atrair os adultos também – ou seja, duas faixas de público que não são impactadas diretamente pela versão teen da personagem. A tiragem é ambiciosa para os padrões brasileiros: 40 mil exemplares por mês.

Além das histórias, Luluzinha trará passatempos encartados. A edição de estreia vem com um brinde: um almanaque de 32 páginas com a origem e perfil dos personagens, também acompanhado de passatempos.

Luluzinha foi criada em 1935 pela artista Marge Henderson e estreou, em formato de tira, no jornal The Evening Post.

Para marcar o lançamento, acontece amanhã (2), uma “sessão de autógrafos” na Livraria Cultura do Shopping Market Place (Av. Dr. Guilherme Chucri Zaidan, 902 – São Paulo) e uma exposição, até o dia 7 de maio, no MuBA (Rua José Antônio Coelho, 879 – Vila Mariana – São Paulo), com 29 painéis e peças de memorabília da personagem.

quinta-feira, 10 de março de 2011

HQs de super-heróis a R$ 1,99

A Panini anunciou para este mês o primeiro número de duas novas publicações: Marvel + Aventura e DC + Aventura.

As revistas, bimestrais, terão formato americano, 28 páginas, distribuição nacional em bancas e preço convidativo: R$ 1,99.

A ideia, segundo a Panini, é atrair novos leitores – e mesmo os antigos – com a publicação de “momentos históricos” das duas editoras americanas.


A primeira edição de Marvel + Aventura vai trazer a história que mostra o primeiro embate entre Wolverine e Lady Letal, escrita por Chris Claremont e desenhada por Barry Windsor-Smith (Uncanny X-Men 205, maio de 1986).

No caso de DC + Aventura 1, trata-se de verdadeiros clássicos: a origem de Batman (Detective Comics, maio de 1939) e do Capuz Vermelho original (Detective Comics 168, fevereiro de 1951).

Torço para a iniciativa dar certo. Quem sabe este modelo não vira uma alternativa ao famigerado formato mix para as HQs atuais?

quinta-feira, 3 de março de 2011

A Casta dos Metabarões chega ao final no Brasil

Conforme antecipado pelo Papo de Quadrinho, a Devir acaba de confirmar o lançamento do quarto volume da série, que reúne os volumes 7 e 8 da versão original e encerra a história da família de guerreiros.

A saga de ficção científica foi criada por Alejandro Jodorowsky (roteiro) e Moebius (arte) para a revista INCAL.

Neste volume, desenhado por Juan Gimenez, o Cabeça-de-Aço deve enfrentar seu sucessor para dar continuidade às tradições da casta, com implicações que podem mudar o destino do Universo. As duas histórias também revelam como o atual Metabarão ganhou a cicatriz na face.

A editora promete, para breve, um quinto volume da série com histórias curtas e material extra.

A Casta dos Metabarões – Tomo Quatro tem 128 páginas coloridas, capa cartão, miolo em papel couché, e custa R$ 49,90.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A vida de Fidel Castro em quadrinhos

Conforme antecipado pelo Papo de Quadrinho, a editora gaúcha 8Inverso confirma para março a biografia em quadrinhos do ditador cubano.

Castro, escrita e desenhada pelo alemão Reinhard Kleist, parte da fictícia viagem de um jornalista à Cuba em 1958 para pesquisar a vida do rebelde Fidel Castro e, de repente, torna-se testemunha ocular da revolução que iria mudar a vida da ilha.

A partir daí, a HQ cobre a vida de Fidel Castro desde a tomada do poder até o recente afastamento por motivos de saúde. Para produzir a obra, Kleist passou um mês em Cuba, em 2008 – o que deu origem a outro livro em quadrinhos, Havana.

Lançada no Brasil apenas cinco meses depois de sair na Alemanha, Castro tem prefácio do jornalista alemão e biógrafo de Fidel Castro, Volker Skierka, também colaborador na pesquisa histórica.

Não li a HQ ainda para fazer qualquer julgamento. Entendo que nem todo autor é Joe Sacco (Palestina, Notas sobre Gaza) e nem todo quadrinho histórico se propõe a fazer jornalismo.

Porém, é comum este tipo de obra romantizar movimentos sociais ao destacar apenas suas benesses e omitir os problemas inerentes a todo regime autoritário – ainda mais o de Cuba, que já dura mais de 50 anos.

Assim que tiver acesso à HQ, Papo de Quadrinho vai publicar uma resenha confirmando ou desmentindo esta primeira impressão.

Castro é o terceiro título do selo 8Inverso Graphics – os outros dois são Johnny Cash – Uma Biografia e Elvis, todos de Reinhard Kleist. O lançamento tem 228 páginas e vai custar R$ 51.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Papo de Quadrinho escolhe as 10 melhores HQs de 2010

Toda lista que se preza é subjetiva e sujeita a críticas. Esta não pode nem quer ser diferente.

O ano que se encerra chama atenção pela quantidade e alto nível dos títulos produzidos por roteiristas e artistas brasileiros em diversos gêneros. Na nossa lista dos melhores, seis são nacionais e muitas outras só não entraram pelo limite autoimposto de elencar apenas 10 HQs.

Obviamente, a crescente melhora da produção nacional chama a atenção das grandes editoras e, neste quesito, vale destacar a aposta da Devir – que na nossa lista, publicou quatro das seis melhores HQs brasileiras.

Esta mesma relação foi enviada, a pedido, aos sites O Grito, de Paulo Floro, e Gibizada, de Télio Navega, que ouviram vários profissionais dos quadrinhos para formar uma visão mais abrangente do que de melhor se produziu em 2010.

Na ocasião, não tivemos oportunidade de justificar as escolhas. Vamos a elas:

1) Cicatrizes, de David Small (Leya Brasil/Barba Negra)
A trama comovente poderia cair no lugar comum: garoto com pais negligentes é acometido de um câncer na garganta, perde a voz e ganha uma horrível cicatriz. Nesta HQ autobiográfica, porém, David Small, constrói uma pequena obra-prima. Em clima de filme mudo – uma metáfora ao silêncio reinante no lar em que foi criado e à sua situação pós-cirurgia – o autor demonstra um perfeito domínio da narrativa gráfica.





2) As Incríveis Aventuras do Escapista, Michael Chabon e vários autores (Devir)
Não é fácil construir um mito. Chabon fez isso ao escrever seu best-seller As Incríveis Aventuras de Kavalier & Clay, em que dois primos se destacam na Era de Ouro dos Quadrinhos com a criação do herói Escapista. O livro é uma espécie de Homens do Amanhã romanceado e retrata todo o ambiente social da América no período em que os quadrinhos de super-heróis viraram um fenômeno. A HQ apresenta histórias criadas por diversos autores como se o Escapista tivesse realmente existido e sido publicado nas diferentes Eras dos Quadrinhos. Imperdível!




3) MSP +50, vários autores (Panini)
O primeiro volume, lançado em 2009, foi uma homenagem aos 50 anos do estúdio de Maurício de Sousa. Diversos autores foram convidados a apresentar sua visão pessoal da Turma da Mônica e muitas histórias não conseguiram escapar do clima de comemoração. Livre desta “obrigação”, esta sequência renova a experiência de mostrar como os profissionais de hoje enxergam os personagens que povoaram sua infância. E ainda tem o mérito de misturar nomes consagrados com jovens talentos. Para 2011, já está programado um terceiro volume, MSP Novos 50.




4) Pequenos Heróis, de Estevão Ribeiro e vários artistas (Devir)
Com a colaboração de vários colegas, Estevão Ribeiro (Os Passarinhos) criou uma série de pequenas histórias que provam que o heroísmo está muito além dos super-poderes. Cada uma delas é estrelada por crianças inspiradas nos super-heróis da DC Comics que precisam dar o melhor de si quando confrontadas com situações adversas. A ausência de texto e a arte caprichada reforçam o caráter lúdico da obra e provam que a linguagem dos quadrinhos é universal.





5) O que Aconteceu ao Homem Mais Rápido do Mundo?, de Dave West e Marleen Lowe (Gal Editora)
Uma nova e perturbadora abordagem da frase “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”. Bobby Doyle tem a capacidade secreta de parar o tempo e precisa fazer uso dela quando um terrorista ameaça destruir o centro de Londres. Bobby não entende de desarmar bombas, então o que fazer para salvar as milhares de pessoas? Quanto tempo levará? E o que acontece quando, ao contrário das pessoas “congeladas”, o tempo para Bobby continua fluindo inexoravelmente? Uma HQ de super-heróis como nunca se viu antes. Excelente!



6) Yeshuah 2 – O círculo interno, o círculo externo, de Laudo Ferreira Jr. e Omar Viñole (Devir)
Segundo volume da trilogia que apresenta a visão personalíssima do autor sobre o Novo Testamento, fruto de quase uma década de pesquisa. Enquanto a primeira parte preparou o terreno para a chegada de Jesus, esta sequência é centrada em seus anos de peregrinação e convencimento, para uma população carente e ignorante, de que o amor supera a guerra. De forma sensível, Laudo nos faz lembrar de ensinamentos que teimamos em ignorar nos tempos atuais.




7) Mondo Urbano, de Mateus Santolouco, Eduardo Medeiros e Rafael Albuquerque (Devir)
Música e quadrinhos sempre geram uma combinação interessante. Tendo como fio condutor a morte do astro Van Hudson – e uma suposta negociação com o Diabo em troca da fama – os autores constroem um rico painel da contracultura utilizando a técnica de narrar o mesmo fato sob o ponto de vista de diversos personagens. Como numa banda de rock, os artistas vão se intercalando, ora com longos solos ora com a mixagem de seus instrumentos, a arte. Rafael Albuquerque foi premiado recentemente pelo site IGN por seu trabalho em American Vampire e Eduardo Medeiros tem participação garantida em Strange Tales 3, a visão indie dos heróis Marvel. Junto com Santolouco, são as grandes apostas do quadrinho brasileiro no exterior.

8) Bando de Dois, de Danilo Beyruth (Zarabatana Books)
Depois do ótimo Necronauta, Danilo brinda os leitores com mais uma obra-prima. Sem abandonar completamente o clima sobrenatural, esta HQ narra a aventura de dois cangaceiros para recuperar as cabeças de seu bando, dizimado pelas forças oficiais. Danilo tem um domínio narrativo excepcional e consegue transmitir, com sua arte, o clima árido do agreste nordestino e da alma dos protagonistas.






9) RED – Aposentados e Perigosos, de Warren Ellis e Cully Hamner (Panini)
Talvez o maior mérito desta HQ tenha sido inspirar o excelente longa-metragem estrelado por Bruce Willis. Mas o original em si tem qualidades. Muitas. Paul Moses é um agente do FBI aposentado e tudo que ele quer é ficar sozinho para exorcizar seus fantasmas. Por puro capricho, um novo diretor da agência decide que ele deve morrer e Frank se vê obrigado a fazer o que mais sabe: matar. A história, apesar de curta, tem boas surpresas e um clima de suspense que prende do início ao fim. O filme é muito superior, muito mais bem desenvolvido, mas nem assim RED, o quadrinho, deixa de ser uma leitura divertida.



10) Zeladores, de Anderson Almeida (Mr. Guache) e Nathan Cornes (Devir)
Os autores que insistem que quadrinhos brasileiros devem obrigatoriamente conter elementos da nossa cultura deveriam se basear nesta HQ. Numa trama sobrenatural e aventureira, Anderson e Nathan dão uma divertida visão de entidades da umbanda, do folclore e dos contos infantis. Tudo começa quando Zé Pilintra é atacado por um bando de Ramalho, um antigo inimigo que deseja roubar a bengala que vai liberar um grande mal. Antes, porém, Pilintra é atraído por um ebó e envolve-se com uma bruxa wicca, seu irmão lobisomen e por aí vai. Há até um confronto com a Cuca, para se ter uma ideia. A arte cartunesca, muito bem acabada e colorizada, é mais um elemento que enriquece esta obra.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

"Cicatrizes", a melhor HQ de 2010

Fui convidado por alguns colegas para indicar minhas 10 melhores HQs do ano (assim que as listas forem publicadas, divulgo aqui). Não foi uma tarefa fácil, considerando o número de bons lançamentos neste ano que, tanto aqui quanto lá fora.

Porém, não tive dúvida sobre o primeiro lugar: Cicatrizes, de David Small, da editora Leya/Barba Negra.

Justifico:

Poucas vezes vi um domínio da narrativa de quadrinhos tão perfeito. No livro, de 336 páginas, o autor concentra-se na infância difícil em Detroit e na cirurgia para extração de um tumor maligno na garganta que o deixou temporariamente sem fala e com as cicatrizes do título.

A trama em si é carregada, densa, claustrofóbica. Small, um garoto sensível e imaginativo, precisou conviver com a mãe recalcada, o pai ausente, o irmão mais velho e a avó maluca.

Sua fuga se dava em sonhos e fantasias inspirados em Alice no País das Maravilhas, magistralmente retratados numa fusão com a dura realidade – evidenciando que, para o pequeno David, tratava-se do mesmo mundo.

O autor usa uma técnica que convida o leitor a entrar na história. A sequência de abertura, por exemplo, parte de um plano panorâmico até chegar à porta entreaberta de sua casa, e daí para a sala, a cozinha...

Os balões e recordatórios são raros e precisos. Cicatrizes lembra um filme mudo –uma metáfora do período em que o autor perdeu a voz . As imagens são praticamente o único suporte para o entendimento da trama e, como tal, precisam traduzir tanto o mundo externo quanto o interior do personagem.

É aí que David Small esbanja o tal domínio da técnica a que me referi. Os desenhos – alguns inclusive não finalizados – são ricos em expressões faciais e corporais.

David Small acabou por superar tudo isso e se tornou um homem realizado e um grande artista. Cicatrizes não é uma biografia; é um sensível retrato de um homem que poderia ter se perdido em suas próprias frustrações, mas hoje é capaz de olhar para dentro de si e expurgar tudo isso numa obra de arte.

Imperdível!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Panini confirma Coleção DC 75 anos para este mês

Antes tarde que nunca. O primeiro volume, a Era de Ouro, está programado para chegar às bancas na próxima segunda-feira (29), com capa cartão, 148 páginas e preço convidativo: R$ 17,90.

As histórias que compõem cada um dos quatro volumes mensais (Era de Ouro, Era de Prata, Era de Bronze e Era Moderna) foram escolhidas pelos leitores por meio de um hotsite da Panini no início do ano. A demora no lançamento é que estava deixando o público um pouco aflito.

Veja a lista de edições/histórias que integram o primeiro volume, que abrange o perído de 1938 a 1951:

Action Comics 1 - Primeira aparição do Superman
Action Comics 23 - Primeira aparição de Lex Luthor
All Star Comics 1 – Gavião Negro
All Star Comics 1 – Homem-Hora
All Star Comics 1 - Sandman
All Star Comics 1 – Joel Ciclone
All Star Comics 1 – O Espectro
All Star Comics 2 – Lanterna Verde
All Star Comics 2 – Gavião Negro
All Star Comics 2 – Homem-Hora
All Star Comics 2 - Johnny Thunder
All Star Comics 3 - Primeira aparição da Sociedade da Justiça da América
All Star Comics 8 - Primeira aparição da Mulher-Maravilha
Batman 1 - Primeira aparição da Mulher-Gato
Batman 1 - Primeira aparição do Coringa
Batman 16 - Primeira aparição de Alfred
Detective Comics 27 - Primeira aparição do Batman
Detective Comics 38 - Primeira aparição de Robin
Detective Comics 66 - A origem do Duas-Caras
Flash Comics 1 - Primeira aparição do Joel Ciclone
Leading Comics 1 - Estreia dos 7 Soldados da Vitória
More Fun Comics 73 - Primeira aparição do Arqueiro Verde
Whiz Comics 2 - Primeira aparição do Shazam

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Vale o investimento: Scott Pilgrim Contra o Mundo

Se o leitor deste blog já leu nossa resenha sobre a adaptação para o cinema da série Scott Pilgrim Contra o Mundo, não pode deixar de conferir os quadrinhos, que arrebataram uma legião de fãs de todas as idades e estão sendo lançados neste momento no Brasil pela editora Quadrinhos na Cia, braço quadrinístico da editora Companhia das Letras.

Scott Pilgrim é um jovem canadense comum, desempregado e baixista da banda de garagem chamada Sex-O-Bomb. Divide uma pequena quitinete com um amigo gay, Wallace e, de repente, começa a ter estranhos sonhos com uma misteriosa menina por quem se vê perdidamente apaixonado antes mesmo de conhecê-la.

Seu nome é Ramona Flowers, uma americana recém-chegada ao Canadá, que trabalha como entregadora da Amazon.com. Após finalmente encontrá-la, Ramona começa a sair com Scott. e engatam um relacionamento. A relação tranquila dos dois passa por uma série de transformações surreais quando Scott descobre que para ficar com Ramona precisa vencer seus "ex-namorados do mal".

É fácil entender o sucesso da série Scott Pilgrim.

Para começar, ela consegue narrar uma história curiosa e fluida, com várias subtramas e personagens cativantes, em um estilo de desenho limpo, desenho influenciado pelo estilo mangá.

Sua forma de dialogar com uma nova geração de leitores tem a irreverência e o tempero original e necessário para cativar todos que viajarem nos estranhos caminhos pelo qual Scott é levado.

A história é leve, repleta de reviravoltas e surpresas, misturadas às inúmeras influências nerds como o rock independente, as HQs, as relações entre os jovens do novo século, a internet, os jogos videogames, tudo para formar um mosaico divertidíssimo.

É uma forma inovadora de mostrar a vida cotidiana de um jovem comum, que precisa enfrentar desafios para ficar com a sua garota ao mesmo tempo em que sua luta o amadurece e o deixa mais forte para alcançar suas conquistas - exatamente como em um videogame.

Scott Pilgrim, criada por Bryan Lee O’Malley, foi lançada originalmente em seis partes em 2004 pela Oni Press. A Cia dos Quadrinhos está lançando a série em três volumes. Cada um deles custa cerca de R$ 25 e vale o investimento.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A vida dos Beatles em Quadrinhos

A Conrad traz para o Brasil, em lançamento quase simultâneo à França – terra natal do autor Hervé Bourhis –, O Pequeno Livro dos Beatles.

A obra narra a trajetória da banda de 1940 a 2009, abordando período anterior à sua formação (1960) e a carreira solo dos integrantes após a dissolução (1970).

Para marcar o lançamento, Bourhis estará em São Paulo no dia 27 deste mês, em evento na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Avenida Paulista, 2073), a partir das 13h30.

Cosac Naify inaugura linha de quadrinhos adultos


A editora, que já publicou livros do Snoopy e de ilustrações, estreia no novo segmento com Poema e Quadrinhos, do italiano Dino Buzzati.

A obra representa a primeira incursão do próprio Buzzati, mais identificado com a literatura e as artes plásticas, na arte sequencial. Talvez por isso, Poema e Quadrinhos não seja exatamente uma “história em quadrinhos”, mas a soma das duas áreas do conhecimento em que o autor se sente mais à vontade.

O trabalho data de 1969, mesmo ano em que Buzzati esteve no Brasil como jornalista para a cobertura da Bienal de Arte de São Paulo. A história atualiza o mito grego de Orfeu, o magnífico músico que desce ao Tártaro para recuperar a alma de sua noiva Eurídice.

Na versão de Buzzati, Orfi é um cantor pop e Eura, sua amada. Semelhante ao mito, Orfi precisa encantar os guardiões de um “inferninho” com sua música para tentar encontrar Eura, morta muito jovem.

Diferente do mito, Orfi não deixa o Hades sozinho não porque violou a regra de nunca olhar para trás, mas sim porque Eura se recusa a segui-lo.

Poema e Quadrinhos, como o próprio nome diz, é narrado por meio de versos, às vezes rimados, às vezes livres, e quadros muitas vezes de uma página inteira. Há referências visuais a diversos tipos de arte, de pinturas a filmes, de Salvador Dali a Felini.

Enfim, esta é uma das múltiplas opções que a arte sequencial oferece para a transmissão de uma narrativa, casando texto e imagem como nenhuma outra forma de expressão é capaz de fazer.

Poema em Quadrinhos tem 224 páginas, formato 13 x 20,5 cm e preço de R$ 42.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Palavrões escondidos nas revistas da DC

Deu a louca na redação!. Nas últimas semanas, várias capas e splash pages divulgadas em previews ou na lista de pedidos para os revendedores trouxeram mensagens ocultas para, em seguida, serem removidas na versão impressa.

Ainda não se sabe se é uma jogada de marketing da DC ou a revolta dos artistas. A frequência com que isto tem acontecido é muito grande para se pensar em coincidência.

Para os fãs, fica a diversão de tentar caçar estas pegadinhas nas próximas edições. O site Bleeding Cool parece que se especializou na brincadeira e trouxe alguns casos:

Capa de Frank Quitely para Batman and Robin 15: O crucifixo está invertido.

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Splash page do brasileiro Cliff Richards para Bruce Wayne: The Road Home: Batman And Robin 1: Os destroços formam a palavra FUCK (Foda).

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Capa dupla de Ethan Van Sciver para Justice League 50: Veja no detalhe a formação de STFU, abreviação para a expressão “shut the fuck up”, algo como “cala essa boca de merda”.

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Capa de Zatanna 4: Nessa aqui o artista francês Stephane Roux superou todos seus colegas. Ao colocar os números da máquina de caça-níqueis de ponta cabeça (veja detalhe), lê-se a frase ELLE BESE BILL, corruptela de “elle baise bill” e que significa “ela fode Bill” em francês.

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terça-feira, 26 de outubro de 2010

Personagem gay da Archie ganha minissérie nos Estados Unidos

Kevin Keller estreou este mês na revista Veronica 202, da Archie Comics e, aparentemente, fez sucesso já que a edição ganhou uma segunda impressão.

Agora, a editora anunciou uma minissérie em quatro partes de seu primeiro personagem gay, produzida pelo criador Dan Parent.

Tudo indica que seja um balão de ensaio para a Archie decidir-se finalmente a lançar um título próprio e regular estrelado por Kevin Keller.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Novas adaptações literárias da Farol HQ



Depois de uma primeira leva, o selo de quadrinhos da Editora DCL acaba de anunciar outros lançamentos.

Trata-se da adaptação de mais três clássicos da Literatura mundial: Joana D’Arc, de Mark Twain; O Senhor do Mundo, de Júlio Verne; e A Máquina do Tempo, de H.G. Wells.

A exemplo dos títulos anteriores, também estes trazem, ao final, informações sobre o autor e a obra original, curiosidades, e dicas de sites e filmes. As adaptações foram feitas pelo estúdio indiano Campfire, que costuma manter um bom padrão de qualidade artística.

Cada um dos novos títulos tem formato brochura, 72 páginas, capa e miolo coloridos e preço de R$ 27,90.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Lançamento: “O que aconteceu ao homem mais rápido do mundo”

A convite do editor Maurício Muniz, este jornalista fez a revisão de textos da nova HQ da Gal Editora.

Não é por isso, e nem pelo fato de ser amigo do Maurício, que ouso dizer que é uma das melhores histórias que li nos últimos tempos. O que aconteceu ao homem mais rápido do mundo é, no mínimo, inusitada.

Como todo super-herói, Bobby Doyle é um jovem aparentemente normal. Mas ele tem um poder especial, descoberto na infância, que mantém oculto de tudo e de todos.

Quando uma bomba ameaça explodir no centro de Londres, causando uma onda de destruição e morte num raio de 3 Km, Bobby não hesita em agir. Com seus conhecimentos escassos sobre o artefato, desarmá-lo está fora de cogitação; então, ele toma a única decisão possível – a mais óbvia, mas também a mais difícil.

Dito assim, dá a impressão de que é mais uma história de super-heróis. Mas à medida que o enredo avança, à medida que o leitor vai se identificando com os dilemas do protagonista e percebe onde tudo aquilo vai desembocar, começa dar aquele estranho nó na garganta.

O que faz de Bobby um herói não é seu super-poder; é sua abnegação, humanidade, desprendimento. Sacrifícios são lugar comum no gênero de quadrinhos de super-heróis, mas não me lembro de ter visto nada assim antes.

A edição da Gal é caprichada. Tem extras como a introdução exclusiva para o mercado brasileiro do autor Dave West e pin-ups inéditos de artistas americanos, ingleses e brasileiros: Antonio dos Santos e Álvaro Omine.

Traz, ainda, uma história curta, inédita na edição inglesa, apresentando como Bobby descobriu seu super-poder. Matérias “jornalísticas” ajudam a criar o pano de fundo.

O que aconteceu ao homem mais rápido do mundo foi sucesso de crítica lá fora e tenho certeza de que o será aqui também. Fico imaginando como o leitor médio de HQs reagirá a um material tão inusitado.

A HQ tem 64 páginas em P&B, capa colorida, formato 16,5 x 24 cm e custa R$ 22,00

Para assistir a um trailer com a prévia do lançamento, clique aqui.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Nova mini de Wolverine tem páginas "censuradas"

Nota de autoria deste autor publicada originalmente no site Bigorna

Anunciada como “a série mais violenta de Wolverine que você jamais viu”, The Best There Is chega às bancas americanas em dezembro.

Na trama, o mutante canadense enfrenta um novo vilão, Contágio, que se tornará ainda mais perigoso caso seja morto. Enquanto Wolverine busca um meio para destruí-lo, precisa derrotar um grupo de asseclas de Contágio chamado Os Imortais.

Até aí, nada de novo. O que chamou atenção no preview divulgado pela Marvel no início desta semana é que a editora – numa óbvia jogada de marketing – publicou quadros e até uma página inteira pintados de negro, com a divisão entre os quadros escorrendo sangue e o texto “muito violento para mostrar”.

Wolverine: The Best There Is tem roteiro de Charlie Huston e arte de Juan Jose Ryp. Vários artistas vão se revezar nas capas: Brian Hitch (autor da imagem que ilustra esta nota), Phil Jimenez, Gabreile Dell’Otto e Marko Djurdjevic.

A pergunta que fica é: quando uma editora finge este tipo de censurar é porque os leitores cansaram da violência nos quadrinhos de super-heróis ou porque ficou tão banalizada que não surte mais o efeito desejado?


terça-feira, 24 de agosto de 2010

A Arte da Guerra em quadrinhos

Um dos livros mais lidos em todo o mundo, a obra de Sun Tzu ganhou uma versão para os quadrinhos em sua própria terra e, agora, chega ao Brasil pela Conrad.

Ko Wo-Young, falecido em 2005, situou a história no período em que o livro foi escrito: a China de 500 a.C., quando os diversos reinos do imenso país foram unificados por Qin Shi Huang, o primeiro imperador chinês. Ao final de sua dinastia, a China ficou novamente dividida, desta vez entre dois poderosos reinos, Chu e Han.

É neste contexto que Sun Tzu, um respeitado general daquela época, ministrou seus ensinamentos, que séculos depois chegaram ao Ocidente na forma do livro A Arte da Guerra. Nos dias de hoje, seus ensinamentos passaram a ser utilizados no treinamento das mais diversas disciplinas, do Direito à Economia.

A versão em quadrinhos é contada em oito volumes repletos de personagens históricos, batalhas e intrigas que até hoje permeiam o folclore chinês. O primeiro volume de A Arte da Guerra em quadrinhos tem 208 páginas e preço de R$ 29,90.