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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

5 Perguntas para Estevão Ribeiro

A partir desta semana, Papo de Quadrinho retoma a seção 5 Perguntas Para..., com minientrevistas de artistas e profissionais ligados aos quadrinhos. Para recomeçar, falamos com um jovem quadrinhista que vem provando que com dedicação e planejamento, o mercado não é assim tão hermético.

Ilustrador profissional e escritor, até recentemente a criação mais conhecida deste capixaba de 30 anos era o personagem para quadrinhos Tristão, que já foi publicado em jornais, nas coletâneas Graphic Talents e Imbróglio Capixaba e em HQs independentes.

Ao mesmo tempo em que concluía o romance autobiográfico Enquanto Ele Estava Morto, Estevão criou as tiras Os Passarinhos, que ele começou publicando na Internet e, logo depois, na revista MAD brasileira. Hoje os passarinhos já constam do portfolio de uma agência de representação e ganharam uma coletânea independente (em pré-venda).

Estevão Ribeiro responde as cinco perguntas do Papo de Quadrinho desta semana:

1) Uma das coisas que mais se ouve por aí é que o mercado brasileiro é avesso aos quadrinhistas nacionais. Como você explica o sucesso de Os Passarinhos?
Eu não considero Os Passarinhos um sucesso, mas uma recompensa. Faço quadrinhos há dez anos e escrevi muita coisa, investi muito no ofício de quadrinhista. Os Passarinhos surgiram agora, mas talvez eu só tenha alcançado a maturidade pra desenvolvê-los após anos de experimentações em diversas áreas, de projetos, portas fechadas na cara, estudos involuntários ou forçados. Os Passarinhos demoraram dez anos para nascer.
Quando desenhei os personagens ao acaso, enquanto esperava uma reunião, eu os achei bonitinhos e que poderiam render boas histórias. Aí, tive que me preocupar com o direcionamento: eles serão sacanas? Falarão palavrão? Serão ingênuos? Eu analisei as tiras que fazem sucesso: Calvin & Haroldo, Frank & Ernest, Snoopy, Mafalda... Decidi fazer um material com um humor mais acessível possível. O planejamento aconteceu nesse campo; no outro foi o senso de oportunidade mesmo. Os blogs são fáceis de se manter; se você se programar, os leitores não os abandonam. O Twitter foi a grande alavanca para divulgação. Tenho investido cerca de três a seis horas do meu dia nos
Passarinhos. Divulgando, fazendo contatos, desenhando...

2) E essa história do Neil Gaiman comentar no Twitter sobre sua tira com o personagem Piu Gaiman?

O Hector é um passarinho escritor e eu sempre que posso o coloco nas enrascadas que ouço nos bastidores de lançamentos, e uma das piores coisas é ter dois lançamentos no mesmo dia. Pior ainda se um for muito famoso e o outro é um desconhecido. Então pensei na minha situação: Se eu estivesse lançando um livro, qual seria a última pessoa que eu queria numa mesa ao lado autografando? Neil Gaiman! Então, coloquei o Hector nessa situação, com uma versão “Passarinho” do personagem: Piu Gaiman. Primeiro, coloquei em português no blog e depois a coloquei no blog Hector and Alfonse, o blog em inglês dos personagens.
A partir daí, foi entrar em contato com o Neil Gaiman pelo Twitter. Os amigos e as pessoas que conhecem
Os Passarinhos também enviaram mensagens para o Gaiman, até que finalmente ele leu e apresentou os personagens para seus seguidores. Na primeira hora, o blog em inglês recebeu 1228 visitas, e foram cerca de 65 RTs no twitter. Foi um dos momentos profissionais mais emocionantes da minha vida.

3) Como funciona o sistema de agenciamento das tiras? Algum veículo já mostrou interesse?
Bem, uma agência representa as tiras de diversos autores para uma lista de clientes, que são jornais, revistas e empresas de entretenimento. No caso da Intercontinental Press, ela representa os grandes nomes internacionais: Snoopy, Hagar, Recruta Zero, Fantasma, Frank & Ernest, Homem-Aranha (sim, a tira do Stan Lee) e outros para mais de 100 jornais. Foi uma honra ter sido aceito por esta agência, que também tem o Xaxado, do mestre Cedraz e a Samantha, do Alpino. A apresentação das tirinhas para os jornais é demorada, mas Os Passarinhos já foram apresentados a grandes editoras. O que resta agora é continuar produzindo e torcer que o material agrade, porque no final, é o jornal quem decide se quer a tirinha ou não...

4) E o projeto do livreto, como nasceu a ideia? São tiras inéditas ou já publicadas?
Eu tenho uma grande fome de publicar. Enquanto espero os jornais, não vou deixar o material que estou produzindo engavetado. Eu fiz um formato econômico, uma tirinha por página, e a publicação terá umas 100 tirinhas. Estou preparando uns depoimentos interessantes para a publicação, e serão basicamente as tiras que já estão no blog + as tiras que vão estar no blog. A pessoa terá a opção de ler o material todo de uma vez ou vai acompanhar o blog, que tem publicação de tira 3 vezes por semana. Serão divididos em capítulos, falando de relacionamentos, Vida de Escritor, sobre Migalhas, o Gato, sobre a mãe do Hector, a Dona Carmen. Acredito que cerca de 40% das tirinhas serão inéditas, mais o material exclusivo para a publicação. Eu sou suspeito pra falar, mas gosto de ter o material em papel para ler em qualquer lugar. Muita gente acha que não vale pagar R$ 8,00 por um trabalho que vai ser publicado em blog, mas todo mundo é livre para fazer o que quiser com o seu dinheiro. Vou ficar feliz em ter leitores prestigiando Os Passarinhos de qualquer forma: seja impresso ou na Internet.

5) Você está trabalhando em outros projetos com quadrinhos?
Sim... Na verdade, muitos e não só na área de quadrinhos: Terminei um livro de terror este mês e estou apresentando às editoras. Além disso, estou na dependência dos últimos dois ilustradores do álbum Pequenos Heróis, uma coletânea de histórias onde crianças e adolescentes fazem atos heróicos que homenageiam super-heróis da DC Comics. Inclusive estive no 6º FIQ para apresentação de 80% do projeto para o editor da DC, Eddie Berganza, que analisou o trabalho e, salvo algumas pequenas modificações, deu sinal verde para que publicássemos o material no Brasil. Ele até sugeriu uma mudança na história que faz referência ao Flash. Os dois meninos são ruivos e ele pediu que o mais velho tivesse o cabelo loiro, para que ficasse mais evidente a referência de Barry Allen e Wally West na história. Ele achou o material consistente e que as histórias nem precisariam ter as referências da DC para serem boas histórias. E pediu para ver a versão final. Outros dois trabalhos previstos para o ano que vem são dois álbuns: um no estilo steampunk e o outro para o segundo semestre: a origem do Tristão, para comemorar os 10 anos do personagem. E claro, mas tirinhas e livretos d’Os Passarinhos.


Quem quiser encomendar seu livreto, basta clicar aqui. Os leitores que comparem durante a pré-venda vão ajudar a bancar os custos de gráfica e, por isso, terão seus nomes publicados nos Agradecimentos.

Para conhecer mais sobre o trabalho de Estevão Ribeiro, visite seus blogs:

http://www.estevaoribeiro.com.br/
http://euriomuito.wordpress.com/
http://tristao-umalagrima.blogspot.com/

segunda-feira, 6 de julho de 2009

5 Perguntas para Antonio Cedraz

Nascido no interior da Bahia, professor formado e bancário aposentado, Antonio Cedraz começou a desenhar aos 16 anos. Em 1998, deu continuidade ao seu sonho e começou a produzir a Turma do Xaxado por sua própria editora.

Premiado com o Ângelo Agostini e colecionador de cinco prêmios HQMix, seus quadrinhos têm uma forte identidade nacional e retratam, pelos olhos de um grupo de crianças, a sofrida condição dos brasileiros que vivem no Nordeste.

Antonio Cedraz responde as 5 Perguntas do Papo de Quadrinho desta semana:

1) As tiras da Turma do Xaxado foram publicadas em alguns poucos jornais do Sul e Sudeste. Nunca houve interesse de editar por aqui ou você encontrou resistência?
As tiras do Xaxado foram publicadas durante um ano no jornal O Sul de Porto Alegre e agora estão saindo semanalmente no caderno infantil do jornal Agora de Rio Grande (RS), e também no site Sul Mix. Saíram também em jornais de Minas e do interior de São Paulo. Sempre tive interesse em editar por todo o Brasil, mas é muito difícil. Fiz contrato com a Intercontinental Press, mas ainda não andou. Provavelmente elas saiam agora no exterior, na Revista Brasil, editada em Portugal.

2) No quadrinho nacional, os gêneros que mais deram certo foram o infantil, o humor e, no passado, o terror. Na sua opinião, porque as HQs de super-heróis e ficção científica brasileiras, por exemplo, não alcançam sucesso comercial?

Ao meu ver, as histórias de super-heróis brasileros não deram certo porque parecem sempre com os heróis americanos. Outro fator é que nós brasileiros valorizamos muito mais o que é feito lá fora. Não valorizamos a prata da casa. Um sujeito para se dar bem aqui no Brasil precisa ser reconhecido primeiro lá fora.

3) Personagens infantis como Mônica e Luluzinha passaram por uma atualização e ganharam versão para adolescentes. Você vislumbra esta possibilidade para a Turma do Xaxado no futuro?
Não, não pretendo muda a fase atual da Turma do Xaxado. Primeiro tenho que lutar para eles se tornarem conhecidos e até chegarem as bancas ou livrarias de muitos lugares, Por enquanto, as nossas publicações são restritas à Bahia mas pretendo fazer um investimento para colocar o mais rápido possível. Ando a procura de parceiros para essa empreitada.

4) Você é um dos grandes defensores do uso do quadrinho na Educação. Acredita que a recente polêmica em São Paulo, quando foram distribuídos quadrinhos impróprios para crianças de 9 anos, possa representar um retrocesso nesta área?

Através dos quadrinhos podemos mudar o quadro de falta de leitura desse nosso país e já foi mais que comprovado que os quadrinhos são uma grande ferramenta para incentivar a leitura. A pessoa começa lendo quadrinhos e aos poucos vai passando para outra forma de leitura. Não é à toa que os jornais sempre apostaram nisso. Quanto a polêmica na distribuição de livros impróprios para criança de 9 anos, ao meu ver foi por causa de uma má escolha. Os membros da comissão que selecionou a obra não souberam escolher ou então não se deram ao trabalho de ler. Não creio que vá atrapalhar as futuras escolhas, apenas foi um alerta para se escolher melhor as próximas obras.

5) Depois do lançamento do livro 1000 Tiras e da exposição itinerante, quais as próximas novidades da Turma do Xaxado?

Meu grande desafio é fazer o livro chegar às boas livrarias. Quanto ao projeto itinerante, ele está acontecendo com grande procura e interesse. Depois da Bienal do Livro da Bahia, ele já foi para o Colégio Antonio Vieira, um doa maiores de Salvador, para a Ilha de Itaparica e agora está na Biblioteca Central de Salvador. No mês de agosto estará em outro grande colégio, aqui da capital e já tem duas cidades do interior interessadas. Vamos participar também da homenagem ao 50 anos de publicação do Maurício de Sousa, com uma aventura onde o Cascão vai visitar o sertão do Xaxado. Pretendo ainda este ano lançar a revista em quadrinhos do Xaxado e até livros por editoras paulistas. Se Deus quiser!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

5 Perguntas para Adriana Melo

Ela é um caso raro de artista brasileiro que ingressa no mercado americano já numa grande editora. Depois de formada no colégio técnico Carlos de Campos, em São Paulo, Adriana estagiou no estúdio Art & Comics e pouco tempo depois desenhou uma história do Homem de Ferro. A ele se seguiram Surfista Prateado, Quarteto Fantástico, Witchblade, Lanterna Verde e, mais recentemente, Ms. Marvel.

Adriana Melo responde as 5 perguntas do Papo de Quadrinho desta semana:

1) Você já trabalhou com alguns dos principais personagens dos quadrinhos americanos. Com qual você sonha trabalhar no futuro?
Ah, meu grande sonho seria desenhar histórias com os X-Men! São meus personagens preferidos, foram os responsáveis por me viciar em comics e na lista dos meus TOP 5 personagens, 4 são mutantes. Tive uma surpresa maravilhosa há duas semanas quando fui convidada a desenhar a capa variante de X-Men Legacy #225 e pude desenhar a Vampira. Espero ter a oportunidade de outras capas X's, já que essa foi uma experiência incrível!

2) Você acompanha a produção nacional de quadrinhos? Existe algum personagem ou criador que vem chamando sua atenção?
Olha, infelizmente não tenho acompanhado o mercado daqui. Sei por amigos o quanto de material novo rola pelo Brasil todo e como existem editoras menores lutando para que roteiristas e artistas brasileiros tenham espaço pra mostrar sua arte, mas com essa correria toda da profissão, quando tenho um momento pra descansar acabo me afastando do assunto HQ. De qualquer forma, torço MUITO pra que venhamos a ter um mercado forte por aqui!

3) Aqui no Brasil tem havido uma "atualização" de personagens infantis clássicos, como a Turma da Mônica Jovem e Luluzinha Teen. Qual sua opinião sobre isso?
Sei que tudo é 'bussiness' e as editoras tem aproveitado esse nicho de mercado; eu até acompanho o sucesso que essas revistas fazem com minha família, o quanto de potencial de sucesso essas “atualizações” têm. Mas, sei lá.... eram personagens da minha infância, aquela coisa de todo ano a Mônica ter uma festa de 8 anos, os planos infalíveis do Cebolinha, o Cascão fugindo do banho... E, agora, tudo é diferente nessa outra fase 'Jovem", com direito a viagens interdimensionais, Mônica agarrando o Cebola (por outros motivos que os anteriores... rs)... Bom, eu não sei ainda se gosto dessa fase, mas sei que minha opinião é voto vencido... rs.

4) Tem havido algumas críticas de que as HQs atuais de super-heróis apelando para crises, megassagas e mortes por falta de bons roteiros. Você concorda com esta visão?
Concordo. Com algumas exceções, eu mesma não tenho paciência com os motivos pra “mortes”, “crises” e megaeventos. Sinto falta de histórias que nos aproximem dos “supers”, coisas do dia-a-dia, sem que aconteçam hiper sagas, viagens dimensionais etc... Existem coisas muito boas aqui e ali, sou fã do Ron Marz, por exemplo, mas na maior parte do tempo a coisa toda é difícil, já que a gente sabe que em alguns meses tudo volta ao normal e com algumas poucas mudanças. MAAAAAAAAAASSSSSSSSSSSS precisamos entender que na maioria são personagens com mais de 40 anos de publicação e a dificuldade em desenvolver boas histórias aparecem de tempos em tempos.

5) Em que você está trabalhando agora e quais seus projetos para 2009?
No momento estou desenhando pra Marvel uma história sobre uma personagem chamada Jackpot, do universo do Aranha, e depois disso tenho algumas coisas em vista, que por enquanto tenho que manter segredo...rs. Mas espero um segundo semestre cheio!

Adriana acaba de reformular seu site. Para conhecer um pouco mais do trabalho desta talentosa artista, visite: http://www.adrianamelo.com/

segunda-feira, 8 de junho de 2009

5 Perguntas para Samicler Gonçalves

Publicitário, desenhista de quadrinhos, ilustrador e professor, Samicler Gonçalves é o criador do personagem Cometa, que acaba de fazer aniversário.

Com licenciatura em Artes Plasticas e pós-graduação em Criatividade, Samicler mantém o estúdio SG Arte, que produz quadrinhos, ilustrações e animação para empresas e agências publicitárias. No ano passado, o artista precisou operar um coágulo no cérebro às pressas, deixando todos seus amigos e admiradores apreensivos.

De volta à ativa, Samicler responde as 5 Perguntas do Papo de Quadrinho desta semana:

1) Há pouco menos de um ano você passou por uma grave problema de saúde. Como este momento o marcou e como está sua recuperação?
Foi uma grande transformação na minha vida. Mudou minha forma de ver o mundo e os valores que as pessoas têm para mim, mas estou tão feliz em estar curado que a ficha não caiu completamente. Depois de passar a euforia, acho que vou conseguir falar com mais propriedade. Mas o que posso testemunhar é que Deus faz o impossível e é só confiarmos nele totalmente. Algo que eu não tinha contado antes é que o medico me deu apenas três meses de vida, e graças ao nosso bom Deus ele tava errado, vou poder viver muito tempo. Há coisas que a ciência faz, mas também tem coisas que somente Deus pode fazer, e eu sou a testemunha viva disso.

2) O Cometa comemorou 24 anos no último dia 30 de maio, parabéns! Quais são seus planos para o personagem?
Obrigado! É, o Cometa tá com 24 anos de vida. É estanho pensar nisso porque parece que foi ontem que eu comecei. É algo que começou numa brincadeira de criança e tem se firmado cada vez mais. Eu não tenho um mercado auto-suficiente para ele ainda, mas vejo hoje muito mais possibilidades de torná-lo um símbolo nacional de quadrinhos de heróis. E quem sabe até ele venha a protagonizar as revista da turma da Mônica, em vez do Mauricio dar crédito ao Superman, Batman e Homem Aranha. Bom, mas não vamos sonhar demais...hehehe...

Os planos são muitos, mas as possibilidades nem tantas. Estou terminando um trailer de abertura para um desenho animado do Cometa que está nos meus planos. Quanto à revista, estou com a edição 8 em banca e terminei a edição 9, estou também terminando de desenhar a edição 10 e a 11 está nas mãos do Rafael Lanhellas Santos. Então, uma coisa já é certa: a revista do Cometa não vai mais atrasar, tenho edições suficientes para manter a regularidade.

Uma outra coisa muito boa também é a participação do Antonio Tadeu como roteirista. Olha, eu leio quadrinhos desde 1980; tenho comprado tudo da Marvel, DC, entre outras editoras. De 1988 a 1997, costumava gastava todo o meu salário com quadrinhos e posso me considerar um leitor de quadrinhos com propriedade. E o que vou dizer não é da boca para fora, mas como alguém que conhece o que esta falando: o Antonio Tadeu é, na minha opinião, a grande revelação no meio dos roteiristas nacionais! Se ele tivesse nascido nos Estados Unidos, eu colocaria ele no mesmo patamar do George Pratt, Joss Whedon e Brian Azzarello. Tenho certeza de que um monte de gente vai dizer que estou exagerando porque o Cometa é meu personagem, mas eu desafio os que duvidam a lerem o Cometa e depois a gente conversa.

3) Realmente, você nunca escondeu que é um admirador dos quadrinhos americanos, tanto que considera desenhar um encontro do Cometa com o Superman. Este projeto ficou só na ideia ou você está trabalhando no sentido de torná-lo viável?
Tô tentando, mas não estou achando os responsáveis pelos direitos autorais do Superman. Mas eu sou teimoso, não desisto tão fácil. Na minha opinião, o que é bom deve ser admirado, seguido e até imitado. Grandes ideias surgiram a partir de outras grandes ideias.

4) Como você avalia a atual situação da produção nacional de quadrinhos? Você acredita que o modelo de super-herói americano funciona para personagens nacionais?
Tanto acredito que eu sigo a receita. Como digo sempre, faço quadrinhos porque gosto e por que gosto faço o meu melhor. Acho que o Brasil, dentre todos os países do mundo, é que tem mais condições de se adaptar a diversas culturas. Caso contrário, não poderíamos ter o Rock e a musica clássica entre outras formas de expressão. A arte contemporânea estaria comprometida e os enlatados americanos abolidos. Chega de falsa ideologia tupiniquim! Vamos abrir os olhos, vivemos em um mundo globalizado. E não esqueça o Brasil é o pais do futuro.

Quanto às demais produções nacionais, tem muita coisa legal surgindo. Esse pessoal precisa de apoio e não critica; já é difícil remar contra a maré e ainda mais contra os que querem nos afundar. Eu sempre digo: você pode se tornar o que você quer ser, basta ser teimoso o suficiente para persistir.


5) Que novidades podemos esperar da SG Arte para os próximos meses?
Vou dfazer uma lista:
Grandes Encontros # 0 (já à venda)
Cometa # 8 (já à venda)
Cometa # 9 (lançamento julho de 2009)
Super-Heróis da Natureza (Infantil) # 3 (junho de 2009)
Grandes Encontros # 1 - Brazor versus Maximus (julho 2009)
Cometa # 10 (outubro de 2009)
Super-Heróis da Natureza (Infantil) # 4 (setembro de 2009)
Grandes Encontros # 2 (não está confirmada ainda uma das participações - lançamento outubro 2009)
Cometa # 11 (janeiro de 2010)
Super-Heróis da Natureza (Infantil) # 5 (dezembro de 2009)
Grandes Encontros # 3 - Raio Esmeralda e Águia Dourada (janeiro 2010)

Quem quiser adquirir seu exemplar de Cometa #8, basta escrever para vendas@sgarte.com.br. Para conhecer mais o trabalho de Samicler Gonçalves, visite:
http://sgartevisual.blogspot.com/

segunda-feira, 25 de maio de 2009

5 Perguntas para Fernando dos Santos, editor do FERCOM!

Fernando dos Santos criou com os amigos o grupo Nossa Visão Quadrinhos há mais de dez anos. O fanzine homônimo lançado naquela época não vingou, mas o grupo continua na ativa até hoje e vem tocando um projeto de inclusão social, o Humor em Quadrinhos.

Com financiamento do programa VAI, da Prefeitura de São Paulo, o Humor em Quadrinhos realiza oficinas de HQ com jovens de regiões carentes e já gerou uma revista de estreia com distribuição gratuita.

Fernando é também editor do fanzine FERCOM!, que está na quinta edição. É ele quem responde as 5 Perguntas do Papo de Quadrinho desta semana:

1) Muito tem se falado, atualmente, da importância dos quadrinhos como ferramenta de educação. Você acredita que eles também podem se reverter numa ferramenta de inclusão social? De que forma?

Acredito que sim. Histórias em Quadrinhos, além um forma de expressão artística, são também uma forma de comunicação. Através da linguagem dos quadrinhos, é possível incentivar jovens autores a retratar seus pontos de vista do cotidiano, apontar problemas e soluções, críticas e comemorações, e compartilhar essas informações com a população. São centenas de possibilidades.

2) O que mais chamou sua atenção, com relação aos jovens e crianças, no desenvolvimento das oficinas do projeto Humor em Quadrinhos?
Ffoi o fato de haver muitos talentos escondidos que precisavam de uma chance para se mostrar. É só dar uma olhada na nossa edição especial. Nenhuma daquelas pessoas produziu HQs antes desse projeto e o resultado ficou muito bom de certa forma. Fico imaginando o potencial desperdiçado por falta de incentivos e políticas publicas eficazes.

3) Como vocês conseguiram o apoio do VAI, da Prefeitura de São Paulo? Tiveram algum tipo de assessoria jurídica? Qual o “caminho das pedras” para quem estiver interessado em buscar esse tipo de incentivo?
Tomamos conhecimento do programa de Valorização de Iniciativas Culturais (VAI) da Secretaria Municipal de Cultura no final de 2007. Trata-se de uma lei municipal que patrocina projetos culturais de diversas categorias em varias regiões de São Paulo. Quem quiser, pode participar de uma espécie de curso, que a SMC oferece para ajudar os interessados a desenvolverem e redigirem seus projetos. Depois das inscrições, que geralmente ocorrem no inicio de cada ano, uma comissão designada pela SMC avalia os projetos e seleciona os mais relevantes. É possível obter mais informações no portal da Prefeitura de SP; é só procurar o link do VAI.

4) Os subsídios públicos limitam-se à etapa de produção de HQs, mas um dos maiores gargalos da produção independente é a distribuição. Você acredita que poderia haver mais incentivo nesta área também?
A questão da distribuição é muito complicada. Até aonde sei, esses subsídios não cobrem as etapas de logística relacionadas aos projetos que são contemplados, talvez porque os subsídios públicos aos quadrinhos sejam relativamente recentes e o item da “distribuição” ainda não foi analisada como se deveria. Quem sabe seja o caso das associações que representam os profissionais do ramo, como a AQC ou a ACB, sugerirem melhorias aos projetos de lei que atendem produções de quadrinhos.

5) Quais são os projetos atuais e em andamento do grupo Nossa Visão?
Acabamos de ser novamente contemplados pelo VAI, e iremos realizar uma nova oficina de HQs com esse recurso, além de produzir novas publicações de quadrinhos com trabalhos dos autores do projeto Humor em Quadrinhos.

Quem quiser conhecer um pouco mais do projeto Humor em Quadrinhos, visite: http://humoremquadrinhos.blogspot.com/

segunda-feira, 18 de maio de 2009

5 Perguntas para Pedro de Luna

Publicitário, ilustrador e quadrinhista, Pedro de Luna mantém um blog de quadrinhos no site do Jornal do Brasil. Como profissional, já trabalhou para diversos clientes corporativos, realizou exposições e oficinas de quadrinhos, publicou tiras em jornais, teve trabalhos selecionados para salões de humor no País e recebeu prêmios.

Pedro de Luna responde as 5 Perguntas do Papo de Quadrinho desta semana:

1) Como surgiu a idéia de criar o blog para tratar de quadrinhos? Como você busca e seleciona as notícias que vai publicar?
Eu publiquei tiras do personagem Bzão por 2 anos no Caderno B do Jornal do Brasil. Nesse meio tempo, senti falta de um espaço no jornal para noticiar o que acontecia no meio e para provocar uma reflexão de artistas, editores, leitores etc. Aí solicitei ao editor que autorizasse a criação de um blog específico no JB Online. No final de 2008, a seção de tiras acabou no jornal impresso, mas o blog permanece até hoje, crescendo cada vez mais. Minhas fontes são variadas: lendo jornais, revistas, navegando pela internet, conversando com amigos. O diferencial do blog Quadrinhos, do JB, é que ele não se propõe a ser o "primeiro a postar" ou "o que tem mais conteúdo", e sim uma coluna de opinião que vai a fundo nos textos, não apenas um reprodutor de press-releases.

2) Que tipo de HQ você costuma acompanhar regularmente?
Minha preferência é e sempre foi pelo quadrinho europeu. Do lado americano, prefiro a HQ underground, discípulos de Crumb, Gilbert Shelton etc. Tenho acompanhado a HQ nacional, que está melhorando bastante, mas como eu prefiro o quadrinho de humor, pouca coisa tem me enchido os olhos. Mesmo nas revistas independentes e nos zines, pouca coisa tem graça. O que não é lógico pra mim, já que o Brasil é conhecido pelo humor, da TV à publicidade, por exemplo.

3) Como você avalia a situação atual dos quadrinhos americanos de super-heróis, com suas megassagas e crises. Você acredita que a crise verdadeira seja de criatividade?
Acredito que existem pessoas supercriativas pelo mundo todo; talvez haja mais falta de oportunidade mesmo. A quantidade de informações é tão grande que às vezes é difícil tomar conhecimento de coisas muito boas que estão à parte da grande indústria cultural. Por outro lado, a internet, a tv a cabo, essa facilidade de acesso à informação está deixando tudo muito parecido porque os artistas buscam referências em outros o tempo todo. Aí você consegue ter um status quo, um padrão comum, porém poucos trabalhos autorais, com personalidade, que não pareçam com alguma coisa que você já leu ou viu antes.

4) E a produção nacional de quadrinhos, você costuma acompanhar? Quais autores você acha que vêm se destacando?
Prefiro não citar um ou outro autor, mas acho que enquanto não se organizar pra reivindicar, a classe vai continuar a margem do mercado. HQ é algo muito diferente por que ao mesmo tempo faz parte e não faz tanto da indústria editorial, literária, industrial e das artes visuais. Ela se encaixa em tudo e ao mesmo tempo não é abraçada por nenhum segmento. Espero que a produção nacional cresça em quantidade, qualidade e, sobretudo, distribuição. As comic shops são fundamentais nesse sentido.

5) Você acaba de defender uma tese de MBA sobre As Tendências do Mercado de HQs no Brasil. Quais são as conclusões da sua pesquisa?
Foram muitas conclusões, Jota. Eu parti de uma possível comparação com o mercado da música. E algumas diferenças apareceram rápido. Os quadrinhistas ainda não usam todos os potenciais da web como os músicos. As bandas dão suas músicas de graça pra ganhar em shows. E os artistas, vão ganhar em quê? Palestras? Workshops? Turnês? Ficou claro também que é necessário o pessoal se engajar nessa luta pela reformulação da lei do direito autoral. Não digo aderir ao Creative Commons, mas acabar com essa história de contratos longos que cedem 100% do direito patrimonial pra empresa ou editora, por exemplo. Em breve colocarei a tese para download e gostaria que as pessoas lessem e refletissem a respeito. Descobri muita coisa importante e tendências para 2009, 2010, 2011...

Para acompanhar o blog de quadrinhos do Pedro de Luna, acesse: www.jblog.com.br/quadrinhos.php.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

5 Perguntas para José Valcir

Editor da revista independente Prismarte e membro da Produtora de Artistas Associados (PADA), José Valcir desenha quadrinhos desde criança. Mas foi em 1985, ao reencontrar dois amigos – os irmãos Milson e Marco Martins – que ele passou a se dedicar à associação pernambucana que quer fazer a diferença no mercado de quadrinhos nacionais.

José Valcir responde as 5 Perguntas do Papo de Quadrinho desta semana:

1) Como nasceu a PADA e a Prismarte?
A PADA surgiu do sonho de dois irmãos, Marco e Milson Marins, partilhado com outros que deram formação a essa produtora que almejava conquistar o mercado nacional de quadrinhos. Chegamos a mandar até uma HQ completa, e original, para extinta Bloch. Até hoje nunca recebemos de volta a história e nem tampouco resposta. Todos, sem exceção, sofriam influência direta dos comics, mas uma carta de um dos nossos colaboradores e uma entrevista com Lailson de Holanda, renomado chargista daqui de Pernambuco, nos fez olhar diferente para o mercado. A PADA deixou os superseres de lado e enveredou em busca de uma identidade para os quadrinhos que até então queria produzir. Eis à razão do slogan: “Prismarte, uma nova maneira de ver quadrinhos”.
Como fomos à primeira equipe unida em um único objetivo, conseguimos lançar a revista Prismarte e fazer as duas primeiras exposições de quadrinhos de Pernambuco, nos anos de 1990 e 1991. Antes, o pessoal da geração de Lailson, estava mais preocupada em produzir para Grafipar ou Vecchi, copiando ora terror, ora “uésten”. Nós até hoje estamos abertos a novos colaboradores e sempre publicando alguém de fora. No seu surgimento, a PADA chegou até mais de 25 componentes. Atualmente estamos reduzidos a três. Eu, Milson Marins e Arnaldo Luiz. Contudo, estamos abertos à inserção de novos colaboradores para nosso quadro. Serviço não falta.


2) Muitos artistas independentes vêm publicando seus quadrinhos em fotologs ou sites especializados. Você acredita que a Internet vai substituir o fanzine?
Sinceramente, não sei dizer. Acredito que num futuro longínquo isso possa vir a acontecer. Nossa cultura é do papel. De poder manuseá-lo e sentir o aroma de novo. Ou cheiro de velho, mesmo. No momento, num país terceiro-mundista como o nosso, cujo analfabetismo, desemprego e custo de vida ainda é um mote para políticos fazerem de palanque com intuito de se elegerem, estamos longe de mudar essa realidade. Nesse momento.
Talvez essa juventude que está aí, no futuro, venha a mudá-lo. Um garoto que já nasce inserido numa realidade repleta de tecnologias como MP3, jogos digitais e comunidades on-line, talvez tenha outra visão sobre as coisas em volta de si. Assim como nossos conterrâneos, a Marvel e a DC já se inseriram nesse mercado de quadrinhos na rede mundial. Ainda como teste, mas devagarzinho a coisa vai mudando. Mas, mais adiante, o conceito de quadrinhos como conhecemos vai mudar, assim como Cassiopéia e Toy Story mudaram a animação. Essa é a tendência à qual as histórias em quadrinhos vão tomando forma, numa nova linguagem alcunhada pelo Edgar Franco: Hqtrônica. Quem sabe?

3) Algumas grandes editoras têm lançado obras originais ou adaptações literárias feitas por artistas brasileiros. Você acredita que isto seja uma mudança na forma como o mercado enxerga o quadrinho nacional?
Sim. Mas também uma retomada. Lembro que em dada época a Editora Brasil-América (EBAL) fez adaptações de obras literárias e vultos nacionais, com menos flexibilidade criativa. Hoje, o autor tem mais liberdade e está tratando o tema sem a rigidez culta. Ora, a linguagem dos quadrinhos é diferente de uma literatura, embora tenham em comum o texto. E eu vejo as histórias em quadrinhos como transição para os livros. Contudo, esse nicho de mercado está sendo receptivo e as editoras estão investindo mais e isso é muito bom. Precisamos fomentar os quadrinhos no Brasil e se isso implica fazer temas históricos ou abranja à Literatura, que seja. Tem que se começar por algum lugar a fim de trilhar outros caminhos.
O André Diniz, do “sítio” Nona Arte, falou da chegada da corte portuguesa ao Brasil. O sociólogo e professor Amaro Braga organizou e escreveu a história dos judeus em Recife, adaptação de um livro para os quadrinhos. Além disso, escreveu sobre os holandeses e a expulsão desses pelos índios, negros e portugueses, inserindo esse material nas escolas públicas e particulares. No
Maranhão, foi recentemente publicada a história desse estado. Até nós mesmos, da PADA, fomos convidados a participar de um projeto sobre o vulto pernambucano que livrou os países latino-americanos do jugo espanhol, o general Abreu e Lima. O presidente Hugo Chávez tem esse homem como grande herói do povo dele ao lado Simon Bolivar, enquanto eu e demais pernambucanos o desconhecíamos. Por outro lado, eu sei quem foi Billy The Kid. Irônico, não? Eu acredito que o mercado é propício a esse tipo de produto. Existe muita coisa aqui sendo produzida e não posso falar porque não são obras minhas. Mas acredito que será um material de primeira.

4) Quais são, na sua opinião, as maiores qualidades e os maiores defeitos da atual produção nacional de quadrinhos?
Para mim, a maior qualidade no cenário fanzinístico é manter acesa a chama pelas histórias em quadrinhos. Graças aos fanzines, muitas informações foram trocadas. Muita discussão política acerca do que a Editora Abril fazia com as histórias, as mortes e ressurreições de personagens, como a morte do Super-Homem (DC) e da Rê Bordosa, do Angeli, como forma de marketing. O uso de subliminar nos quadrinhos. Foi um período efervescente, criativo e inteligente. Títulos como Marca de Fantasia (depois se transformou em Nhô-Quim, Top!Top!), de Henrique Magalhães, Polítqua, de ZeCarlos Ribeiro, Psiu (e a série de Psiu Mudo, Deus, Eco-Lógico), de Edgard Guimarães, Barata, de Flávio Mário de Alcântara Calazans, Baloon de Quadrinhos, de Gonçalo Jr. e outros tantos. Minha formação quanto a produtor, pensador e editor de quadrinhos veio dessa época. Uma leitura crítica do que chegava às mãos. Algo que a Prismarte herdou: fazer algo compromissado, pensante e crítico.
Eu enxergo hoje esse meio muito mudado. Temos ainda dessa época o Henrique Magalhães, com a editora Marca de Fantasia, publicando muito material de qualidade e editando de uma forma mais profissional o Top!Top!. Um veículo pensante e antenado com quem já fez história e com que está surgindo. Um celeiro muitíssimo interessante de se conhecer. O Edgard Guimarães é outro que veio dessa fase e faz hoje o fanzine Quadrinhos Inteligentes – QI. Para sua seção de cartas, batizada de Fórum, convergem muitas cabeças pensantes e não me incomodo em dizer que é o coração desse veículo de comunicação. Pensante, vibrante e atuante. O QI divulga outros quadrinhos e possui textos inteligentíssimos. Vale a pena conhecer tanto o Top!Top! quanto o QI.
Não sei dizer se é defeito, mas vejo que a visão antes crítica foi substituída por vender. Chegar ao mercado. Ter um fanzine é um meio de divulgar o trabalho, de amadurecer o roteiro ou o traço e vender. A competitividade chegou ao meio, sim. E vejo isso como algo salutar. Não dar para ficar sonhando, mas deve-se fazer algo inteligente. A tecnologia permitiu sair do mimeógrafo para máquinas fotocopiadoras. Agora temos o computador que nos facilitar desenvolver trabalhos com resultados fantásticos - Mas a máquina não substitui o talento. E se autoeditarem, como nós, da PADA, e tantos outros autores distribuídos pelo Brasil afora.
Ainda há um público cativo que busca reproduzir o que se faz nos comics e mangás. Entretanto, assistimos a uma sutil mudança nos super-heróis tupiniquins. Eles não só estão enfrentando alienígenas como estão confrontando-se com traficantes de drogas, corrupção política. Estão mais próximos de um Brasil real. Isso é bom. Por outro lado, alguns desses artistas – na maioria desenhistas – sonham em trabalhar para uma Marvel ou DC da vida, pasteurizam o desenho e perdem sua própria identidade. Nada contra fazer quadrinho de exportação e a técnica de desenho deles é muito boa. Mas inserir-se nesse mercado não é fácil e parece que todo mundo desenha de um modo só. Poucos são aqueles que conseguem ousar. Agora, o que gosto de ver é essa gana que mantém viva a chama aos quadrinhos. Cada editor se autoproduzindo, expondo seus títulos e querendo ganhar espaço. Mas falta ainda se profissionalizarem. Entender que o leitor é um cliente e visto assim o tratamento será diferente, e o que fizer será em prol desse leitor. Conquistar espaço nas prateleiras das bancas e se confrontar com títulos já consagrados e romper com essa dependência de editora (embora não fosse ruim uma nos financiar), buscar meios de vendagem. O meio fanzinístico não é ruim, mas funciona para quem quer só se divertir e falar dos seus gostos pessoais. Agora, para quem busca ganhar dinheiro é o lugar errado de ficar. Aprender com quem tem experiência nesse meio é muito legal, trocar informação e se apresentar ao público. Entretanto, com a inserção da tecnologia ficou mais fácil editar uma revista. De dar um ótimo acabamento, mas isso sem um bom personagem, bom roteiro e bom desenho não vai longe. Tem que ter planejamento e organização e “1% de inteligência e 99% de muito suor”.


5) De que forma o poder público poderia contribuir para uma maior profissionalização do quadrinho brasileiro?
Vou requentar um assunto há muito esquecido, que é a lei de cota para os quadrinhos. Muita gente reclamou quando surgiu aquela proposta do deputado Simplício Mário. Nem sei se ainda ele é deputado e se o projeto de lei ainda existe, mas ali foi uma tentativa de fazer algo pelas histórias em quadrinhos. O autor em questão era (ou é) leitor de HQ e a proposta era muito interessante, onde faria com que as republicadoras, como uma Panini da vida, tivessem que publicar uma quantidade “x” de títulos nacionais. Isso forçaria o surgimento de uma indústria de fomentação e o público começaria a descobrir nossos autores vindos dos alternativos. Gente de muito talento buscando uma oportunidade. Claro que nem todos são tão bons assim, mas somente o tempo para lapidar e a crítica do leitor para moldar. Só que os leitores entenderam que seria imposição para comprar o quadrinho nacional, e coisa e tal. Caramba! Será que para sermos lidos e considerados bons por nossos conterrâneos teremos que desenhar a Mulher-Hulk, como Mike Deodato? Como disse o Edgar Franco, a quem entrevistei na Prismarte, eles contratam desenhistas e não roteiristas.
O governo está fazendo a parte dele, ou, pelo menos, tentando. Uma foi a cota para os quadrinhos, mas como nos anos sessenta, esse projeto foi para “gaveta”. Também temos a lei de incentivo à cultura. O Amaro Braga, ao lado de Danielly e Roberta Cirne, estão produzindo quadrinhos; Matheus Moura publicou o Toka di Rato, cujo número dois anda em produção; e o governo do Estado de São Paulo abriu um edital, convidando os quadrinhistas a trazer projeto para participar dessa lei de incentivo. E aí, o que falta mais fazer? Creio que agora somos nós que temos que arregaçar as mangas e trabalhar.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

5 Perguntas para Leandro Luigi Del Manto

Atual editor da Devir, Leandro trabalha profissionalmente com quadrinhos há mais de 20 anos, quando foi contratado como assistente de produção pela Ed. Abril. "Se na Abril eu aprendi como se fazia o trabalho de editoração, na Globo eu pude colocar tudo em prática e aprender mais ainda", diz. Desde então, passou pelas principais editoras de HQs do País.

Ele é “só” o cara que trouxe para o Brasil preciosidades como Cavaleiro das Trevas, Elektra Assassina, Watchmen, Ronin (pela Abril), Sandman, Orquídea Negra (Ed. Globo), Authority, Liga Extraordinária (Pandora), Sin City, Lost Girls (Devir)... a lista é imensa (só o Guia dos Quadrinhos tem cadastrados 422 títulos editados por ele, mas certamente é muito mais!)

Conheci Leandro Luigi Del Manto pessoalmente no final dos anos 80, ainda na Abril. De cara, deu para perceber que era um apaixonado por quadrinhos que estava no lugar onde todo fã gostaria de estar. É ele quem responde às 5 Perguntas do Papo de Quadrinho desta semana:

1) O que mudou no mercado brasileiro de quadrinhos desde que você começou a trabalhar nele e qual futuro você enxerga para este mercado?
As principais mudanças foram a perda do monopólio das bancas da Abril para a Panini e a invasão dos mangás nas bancas. O futuro ainda é muito incerto, mas acredito que haverá cada vez mais uma migração de leitores mais exigentes para as edições originais ou os TPs americanos. Está cada vez mais fácil comprar as edições originais pela Amazon e similares.

2) A Devir tem optado por produtos mais bem acabados, luxuosos e, portanto, mais caros. É uma HQ para livrarias, não para bancas de jornal. Qual a estratégia por trás disto?
A estratégia era buscar aquele leitor que costumava ler revistas em quadrinhos compradas nas bancas e que, por uma série de motivos, deixou de comprá-las e passou a ler livros ou álbuns de luxo. Conseguimos acordar uma boa parte dormente de leitores nesse mercado, mas agora diversas outras editoras (pequenas e grandes) passaram a adotar a mesma estratégia e esse nicho de mercado voltou a encolher.

3) Você acredita que o estímulo do poder público – como a inclusão dos quadrinhos no Programa Nacional Biblioteca nas Escolas – pode ajudar a desenvolver uma produção nacional de qualidade?
Não. Vejo os quadrinhos sendo aceitos no PNBE como um investimento cultural que poderá gerar novos leitores num futuro próximo. Financeiramente, é uma boa pedida para as editoras, mas isso pode fazer com que algumas delas passem a adotar políticas editoriais visando a uma possível aceitação pelo PNBE. Isso acaba se tornando uma espécie de censura auto-imposta, pois alguns editores criam projetos que se encaixam nos padrões estabelecidos pelo governo.

4) Nos anos 80, você esteve à frente de títulos que mudaram a história dos quadrinhos. Deve ter sido como um sonho realizado, não? Como esta experiência o marcou?
É curioso falar sobre isso, pois foram todos títulos recém-lançados na época e ninguém via a importância real que eles poderiam ganhar em poucos anos. Na época de Watchmen e Cavaleiro das Trevas foi quase um tiro no escuro, pois muitas pessoas achavam tudo meio estranho e fora dos padrões dos quadrinhos publicados até então. Não se esqueça de que ainda não existia o conceito de "quadrinho adulto" ou "quadrinho de autor". Com Sandman, na Globo, eu tive uma realização diferente, uma vez que havia sido um projeto meu rejeitado pela Abril. No entanto, a cada número de Sandman podíamos ver o surgimento de um novo tipo de leitor, que não se importava apenas com o trabalho do desenhista, mas apenas com o conteúdo da história. Sem falar que Sandman trouxe às bancas as leitoras. Tenho muito orgulho de Sandman também pelo reconhecimento de Neil Gaiman, que sempre elogiou as edições brasileiras.

5) Indique 10 HQs que, na sua opinião, todo fã deveria ler antes de morrer:
- A Liga Extraordinária - Volume 1
- Sandman
- Watchmen
- Incal
- Planetary
- Homem-Aranha (os clássicos)
- Demolidor (a fase de Frank Miller)
- Monstro do Pântano (de Alan Moore)
- Torpedo (de Sanchez Abuli e Jordi Bernet)
- Calvin e Haroldo

segunda-feira, 27 de abril de 2009

5 Perguntas para José Salles

Historiador por formação e fanzineiro por vocação, José Salles é editor da Júpiter II (antiga SM), editora independente orientada 100% para a produção nacional de quadrinhos e que acaba de atingir a marca de 50 títulos publicados.

Profundo conhecedor de HQs – notadamente dos clássicos - e colecionador de verdadeiras raridades, Salles responde esta semana as 5 Perguntas do Papo de Quadrinho:

1) Quais são as maiores dificuldades em se manter uma editora independente e que publica exclusivamente autores nacionais?
Se comparado a outras atividades profissionais, como pedreiros, motoristas de caminhão, taxistas em grandes cidades, coletores de lixo, limpadores de janelas em edifícios e empregadas domésticas, diante disso o serviço de editor é moleza. Mas claro que desenhar as HQs é muito mais difícil.

2) Nesse tempo de existência, cite algumas revistas que se destacaram por sua importância para a produção nacional ou pelo sucesso de vendas?
Sucesso de vendas, nenhuma. Quem pensa que estou ganhando "um dinheirão" publicando gibis, se engana, pois só venho gastando. E quem me procura pensando em salário, também vai se decepcionar. Vocês têm que entender que o selo Júpiter II nada mais é do que uma ação entre amigos apaixonados por HQs, e quase todos esses amigos vindos dos tempos de fanzine (a propósito, eu ainda edito o fanzine Personagens dos Gibis). A diferença é que agora damos um acabamento gráfico mais bonitinho e, com o aumento da tiragem, extrapolamos o público fanzineiro. Quanto à importância, sem dúvida dois os mais relevantes títulos do selo são o do Raio Negro (Gedeone Malagola) e O Gáucho (Julio Shimamoto) - ambos os autores que também conheci por meio dos fanzines.

3) Qual seu autor ou artista americano preferido?
Puxa, difícil escolher um só. Como sou apaixonado pela Golden Age dos Quadrinhos Americanos, quais sejam, aqueles produzidos para tiras de jornal entre os anos 30 e 40, vou escolher aquele que melhor representa aquela magnífica geração: Alex Raymond.

4) Você é também um grande colecionador de quadrinhos. Qual o tamanho do seu acervo, o tipo predominante e as raridades?
De fato, coleciono gibis há anos e graças às buscas em sebos e intercâmbio com outros colecionadores, possuo bom acervo cheio de raridades. Majoritariamente em minha coleção, gibis com personagens americanos e brasileiros dos anos 50 a 70 de vários estilos (muitos desses gibis publicando personagens criados antes deste período). Por um tempo colecionei também muito do underground comics, mas hoje me desinteressei totalmente por esse estilo. E, como precisava de espaço nas estantes, estes foram os primeiros a ser doados para uma gibiteca. Dos anos 80 pra cá, acompanho os personagens brasileiros dos quadrinhos e também os títulos lançados pela Bonelli Editore.

5) Quais os lançamentos da Júpiter II para 2009 que você pode adiantar para os leitores do Papo de Quadrinho?
De novidade, no gibi do Raio Negro, roteiros inéditos escritos pelo próprio Gedeone Malagola, poucos meses antes de partir para a Pátria Espiritual, ilustrados por novos talentos da HQ brasileira. De resto, continuaremos com os títulos que temos publicado: Tormenta, Corcel Negro, O Bom & Velho Faroeste, Boca do Inferno.com, Vulto, entre outros.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

5 Perguntas para J.J. Marreiro

J.J. Marreiro começou a trabalhar profissionalmente com ilustração em livros de informática e aulas de desenho para crianças. Aprimorou sua técnica na Oficina de Quadrinhos do Ceará e, pouco depois, montou o estúdio Graph It com os colegas Daniel Brandão e Geraldo Borges. Marreiro já desenhou para publicações de diversas editoras brasileiras - Abril, Panini, Trama, Positivo e Ática entre elas – e também para o mercado internacional.

Conhecido por seus personagens Mulher-Estupenda e Lucy & Sky, J.J. Marreiro responde as 5 Perguntas do Papo de Quadrinho desta semana:

1) De onde veio a idéia de criar histórias que homenageiam a Era de Ouro dos quadrinhos?
Quando comecei a notar que o leitor esporádico não conseguia entender a grande maioria dos quadrinhos em banca. Pra entender uma só história dos X-Men, o leitor hoje é obrigado a comprar pelo menos quatro revistas. Isso é um absurdo! Lembrei que quando era guri as histórias eram fechadas e conquistavam pela sua qualidade e não pelo gancho de continuação. As histórias de antigamente eram simples, fáceis de entender e por isso tinham muito mais leitores; eram quadrinhos baratos onde a editora lucrava pela quantidade das vendas. Hoje a revista é cara porque são feitos pouquíssimos exemplares.

2) Quais são seus autores, personagens e histórias preferidas daquela época?
Charles Clarence Beck, Dick Sprang, Al Plastino, Wayne Boring e Curt Swan. Don Heck, Wally Wood e Russ Maning. São tantos artistas fantásticos que fica difícil enumerar só alguns. Walmir Amaral, Flávio Colin, Julio Shimamoto, Gedeone e Will Eisner também estão na minha lista. Esses últimos são absolutamente geniais não só pela compreensão que eles têm do desenho, do quadrinho e de sua narrativa, mas pela decência e postura de respeito com os fãs e leitores. Esses artistas geniais possuem uma generosidade e uma humildade impressionantes. No início eu gostava muito do Capitão Marvel, Fantasma, Tarzan, Raio Negro, Spirit, Batman e Super-Homem.

3) A Mulher Estupenda já foi publicada em revistas ou fanzines? Quais e em que época? Como encontrá-los?
A Mulher-Estupenda foi publicada no (fanzine) Manicomics, Areia Hostil, Clube dos Heróis, Heróis Brazucas, Devoradores de Gibis e Melhores do Mundo. Encontrar esses exemplares dependerá de seus editores ainda estarem publicando esses títulos. Na web, há aventuras publicadas no www.hqnado.com e no www.armagem.com.

4) Na sua opinião, o que falta para que os super-heróis nacionais sejam bem sucedidos no mercado?
Marketing. Produzir o material, fazer uma boa distribuição e divulgação. Quanto mais fácil encontrar o produto melhor para o leitor. Percebo que a distribuição da Panini tem sido muito mal trabalhada aqui no Nordeste; vejo muitas bancas perto de escolas e universidades que não têm títulos Panini. Isso é um equívoco irreparável porque a revista vai vender menos e vão cancelar dizendo que o leitor é culpado por não comprar. Na verdade eu não posso comprar o produto se ele não está à minha disposição nos lugares que freqüento. Má distribuição e preços elevados assassinam qualquer título.

5) Quais seus planos para a Mulher Estupenda e demais criações para este ano?
Estou trabalhando em vários outros quadrinhos que não envolvem a Mulher-Estupenda, assim ainda vai demorar para que algo realmente drástico aconteça com as publicações impressas de aventuras da personagem. Estou explorando outros temas da Era de Ouro em novas produções, a exemplo das Garotas da Selva em Apuros, que é uma série em andamento disponível no http://www.armagem.com/. Lá também tem outros personagens e autores com trabalhos muito legais. Além disso, estou tentando dar mais carga às tiras de Lucy & Sky; o mundo anda muito cínico ultimamente e isso significa uma maré muito boa para o humor.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

5 Perguntas: Especial Emir Ribeiro

Amanhã, 7 de abril, o paraibano Emir Ribeiro completa 50 anos.

Aos 14 anos, em 1973, Emir criou sua personagem mais famosa, Velta, para o jornal do colégio. Apenas dois anos depois, passou a publicar em periódicos de circulação estadual, A União e O Norte, lançando outros personagens, como o índio Itabira, a andróide Nova e o Homem de Preto.

Com mais de 35 anos de carreira, hoje Emir dedica-se a produzir suas revistas em edições limitadas.

“Só mantenho a publicação de revistas por três razões: 1) Porque gosto de criar personagens e produzir quadrinhos; 2) Porque tenho um público, mesmo que ínfimo, em relação aos tradicionais personagens estrangeiros; e esse público tem de ser abastecido com novidades, e sobretudo, respeitado; 3) Porque dar algum exemplo incentiva os mais novos (e quem sabe estes consigam alguma fórmula mágica e se dêem melhor que eu e outros da minha geração)?”, me disse ele recentemente.

Em comemoração aos 50 anos de Emir Ribeiro, Papo de Quadrinho reproduz a entrevista que o quadrinhista concedeu a este blog no dia 23 de novembro de 2008. Parabéns, Emir!

1) O que faria as grandes editoras brasileiras se interessarem por publicar regularmente uma HQ com super-heróis nacionais?
Talvez numa única e até improvável hipótese: se o herói brasileiro fosse publicado por uma editora dos Estados Unidos e fizesse sucesso por lá. Portanto, a chance de isso acontecer é milimetricamente próxima de zero, pois o mercado estadunidenese é quase completamente fechado às criações estrangeiras (ainda mais, sendo latinas).

2) Como era sua relação com Gedeone Malagola e quando surgiu a idéia do encontro entre Velta e Raio Negro?
Comecei a me corresponder com Gedeone por volta de 1979 e 1980, até que um dia ele veio me visitar, e aí, pessoalmente, trocamos ainda mais idéias. O encontro entre nossos personagens foi uma delas. Outra foi de eu tentar fazer uma releitura das antigas histórias do Raio Negro. Após sua visita, continuamos nos correspondendo, ou às vezes, telefonando um para o outro. Devido às contingências das ocasiões, o projeto Velta & Raio Negro foi sendo adiado por anos e anos. Fizemos uma tentativa em 2002, pensando que continuariam aqueles formatinhos coloridos nacionais da Editora Escala. Dois amigos - Felipe Meyer e Erick Lustosa - escreveram um roteiro, mas, por motivos diversos o projeto não seguiu adiante.
Foi quando em 2007, decidi: ou iria naquele ano, ou não iria mais nunca. Escrevi a Gedeone e lhe garanti que agora Velta e Raio Negro se encontrariam, de qualquer maneira. Foi quando ele, muito bem humorado, e achando que poderia haver um confronto entre os pesonagens, disse: "Se houver briga, não faça o Raio Negro apanhar muito da Velta."Em seguida, ouvi boatos de que havia gente interessada em torpedear o projeto, e por precaução, pedi a Gedeone para me redigir uma autorização. Foi a última carta recebida dele, de maio de 2008. No final de agosto e início de setembro, comecei a desenhar, mas aí, o mestre veio a falecer no dia 15 daquele mês.Contei toda essa história (com imagens de algumas cartas do Gedeone) na própria edição. Quem comprar, vai saber disso e mais detalhes.

3) Tenho a impressão de que o Brasil é rico em desenhistas mas carente de roteiristas para quadrinhos? A que você atribui isso?
Certamente, há mais desenhistas do que roteiristas, e confesso não ter idéia e nem conjectura sobre a causa dessa desigualdade. É certo que faltam três coisas principais na maior parte dos roteiros brasileiros: pesquisa, ousadia, e fuga dos clichês. São raros os que conseguem preencher esses três requisitos.

4) Qual sua visão sobre as webcomics? São um caminho para a HQB ou nunca vão substituir o prazer de se folhear uma revista?
Não sei quanto às outras pessoas, mas eu não gosto de ler quadrinhos na internet. A posição é desconfortável. Muito tempo diante da tela irrita os olhos (por isso, nem passo muito tempo defronte um monitor de computador). E ainda se corre o risco de uma queda de energia para atrapalhar a leitura. Nada substitui a velha e boa revista impressa, que pode ser lida até ao ar livre, embaixo de uma árvore, deitado numa rede.

5) O que podemos esperar para os próximos 35 anos da Velta?
Para começar, muitas mudanças. E esse indicativo de novos rumos já ficou patente na própria edição dos 35 Anos de Velta, quando tradicionais elementos das histórias de Velta já sofreram modificações. Na conturbada história "O dia da independência", por exemplo, já são ventiladas alterações no futuro da loura.

Site oficial: http://www.emirribeiro.com.br/
Blog: http://fotolog.terra.com.br/hqpb

segunda-feira, 30 de março de 2009

5 Perguntas para Eloyr Pacheco

Professor, articulista, editor do site Bigorna, criador do personagem Escorpião de Prata, coordenador do coletivo Syndicate Ink e da AQL – Associação dos Quadrinhistas de Londrina, Eloyr Pacheco tem uma relação premiada e de longa data com os quadrinhos.

(E, aqui, vale uma menção pessoal: conheci Eloyr na Bienal do Livro de SP de 2006 e devo muito do meu trabalho atual em quadrinhos a este encontro).

Eloyr começou a carreira de jornalista ainda em Londrina, sua cidade natal, onde trabalhou em importantes veículos de comunicação. Lá mesmo organizou um evento sobre quadrinhos, o primeiro de muitos que viria a realizar. No final dos anos 90, mudou-se para a redação da revista Metal Pesado, em São Paulo, e trabalhou ao lado de profissionais como Jotapê Martins e Álvaro de Moya. Fundou e dirigiu a Brainstore Editora, publicando muito material inédito no Brasil e também autores nacionais, como Marcelo Campos (Quebra-Queixo), entre muitos outros.

Eloyr Pacheco responde as 5 Perguntas do Papo de Quadrinho desta semana:

1) Como foi sua experiência como editor de revista na época da Brainstore? Quais eram as maiores dificuldades e como foi a decisão de encerrar as atividades da editora?
Foi uma ótima experiência. Tanto trabalhar com quadrinhos estrangeiros como nacionais foi muito bom. Ter lançado Quebra-Queixo, do Marcelo Campos; Noite de Caça, do Alexandre Dias e do Anderson Almeida; A Estranha Turma do Zé do Caixão, do estúdio Montandon e Dias, entre outros títulos nacionais, foi muito importante para mim.
A maior dificuldade de uma pequena editora era (e continua sendo) a distribuição. A Internet ajuda (e muito), mas o leitor ainda quer encontrar suas publicações preferidas na banca da esquina da sua casa ou na livraria mais próxima.
Não estou com a editora inativa por decisão minha: depois que quebrei uma perna em maio de 2004, fiquei quase uma ano em recuperação e, nesse período, perdi muitas negociações e parcerias. Quando me recuperava da fratura, meu estúdio foi arrombado e todos os meus equipamentos roubados; isso acabou de arruinar meus planos e perdi as demais parcerias que tinha por falta de um estúdio de produção.

2) A Brainstore publicava o "Lado B" das grandes editoras: Sandman Apresenta, Lobo, Hitman, Anti-Heróis DC... Qual era o critério de seleção dos títulos?
O que eu queria era isso mesmo! Publicar material alternativo, criar uma opção diferenciada para os leitores, e acho que acabei conseguindo isso naquele momento. Tenho muito orgulho de projetos como Dark Heroes (com Desafiador e Starman, por exemplo) e DC Millennium (com Novos Deuses e Impulso, por exemplo). Nem sei se alguém já publicou no Brasil tantas histórias do Lobo, Hitman e Etrigan quanto eu lancei! (Risos.) Isso me alegra porque me faz pensar que fiz o que queria: dar uma opção diferenciada para o leitor de quadrinhos.

3) Tenho lido as histórias do seu personagem Escorpião de Prata (com desenhos do Will) na revista Tempestade Cerebral. Quais são seus planos para o personagem?
Muitos. O Escorpião de Prata continua firme no mix da Tempestade Cerebral, muito bem editada pelo Alex Mir. A sequência de histórias publicada na TC faz parte do projeto que chamo de Volume 1 e que tem como característica o traço cartunesco/”adventure”, feito de maneira extraordinária pelo meu amigo Will. Na Tempestade Cerebral #5 sai mais uma pequena história do Escorpião de Prata com arte do Marcelo Salaza e tons de cinza do Lucas Tanaka. Mas o Will e o Carlos Nascimento (que segue este estilo também) vão revezar na arte de mais 20 páginas que já estão roteirizadas. Tem muito ainda o que acontecer no atual arco “Corre, Escorpião, Corre!” Posteriormente essas HQs serão reunidas em uma edição encadernada.
O Volume 2 já está sendo trabalhado. O model desta nova fase foi feito pelo Nascimento e pelo Carlus Alexandre (duas grandes promessas dos Quadrinhos) e tem como característica o traço realístico.
Há um encontro entre o Crânio, do Francinildo Sena, e o Escorpião de Prata roteirizado e que será desenhado pelo Alex Genaro programado para ser publicado na Tempestade Cerebral #6.
Tem mais surpresas a caminho, mas já posso adiantar que o Escorpião de Prata vai se encontrar com a Penitência, do Marcos Franco; o Lagarto Negro, do Gabriel Rocha; o Penitente, do Lorde Lobo, e o Cometa, do Samicler Gonçalves. Alguns desses encontros ainda estão sendo roteirizados e outros estão sendo desenhados e podem ser publicados em breve.
Além dos parceiros que mencionei e que tenho muito orgulho de ter ao meu lado, tem ainda o Edson Clark, o Moacir Muniz e o Zezo Bauer trabalhando no Escorpião de Prata comigo. E eu boto muita fé no talento desses caras!

4) Como anda a Associação dos Quadrinhistas de Londrina? Quais os projetos da entidade?
A AQL – Associação dos Quadrinhistas de Londrina, lançada no Dia do Quadrinho Nacional deste ano, está em fase de organização, mas já temos uma sala na Revistaria Odisséia – do Carlos Martins, nosso maior incentivador – onde montamos o estúdio de produção do coletivo Syndicate Ink, que funciona como braço de produção da Associação e assumiu o fanzine “Deu Nisso?!”, que acabou de ter um novo número lançado (em breve o disponibilizaremos em PDF.)
Eu, o arte-educador Carlos Nascimento, o designer Lucas Tanaka, o chargista Fí e o fotógrafo Dennis P. Saridakis abrimos inscrições para cursos e oficinas e estamos dando aulas. Queremos formar novos quadrinhistas e fanzineiros.
Temos uma parceria com o SESC Londrina que neste ano realizará mais uma edição do SESC em Quadrinhos, evento realizado pela primeira vez no ano passado e com muito sucesso. Também realizaremos o segundo 24 Horas de Quadrinhos em Londrina.
Eu fui nomeado representante da área de Artes Gráficas no Conselho Municipal de Cultura, um dos primeiros do Brasil que ajudei a estruturar nos anos 1980, e isso nos traz muitos convites para palestras e exposições. No final da semana passada, participamos do Anime Yuu, evento voltado para os fãs de mangá e anime.


5) Seu site, o Bigorna, é basicamente orientado para divulgação do quadrinho nacional. Como é o trabalho de apuração e seleção do que é publicado?
Na verdade é uma busca diária de informações sobre o que está acontecendo no mercado independente, parte do mercado editorial que ainda carece de organização e, por isso, não tem o hábito de mandar informações e releases de seus lançamentos. Isso já começou a mudar, mas o fato é que eu e o Humberto Yashima, parceiro meu no Bigorna desde seu início, “corremos atrás da notícia”. A gente vai atrás de informações no Orkut, nos fotologs e blogs...O que encontramos e o que chega até a gente, independente da qualidade, nós noticiamos. Creio que neste momento nós não somos os juízes da produção, o mercado é que ditará o que continua a ser publicado ou não. O que vende continua, o que não vende pára de ser publicado. Nós incentivamos as iniciativas, sempre louváveis, num mercado editorial tão competitivo como o nosso, que ainda tem como base os quadrinhos mainstream, especialmente super-heróis, e os mangás mais comerciais. Infelizmente os independentes, tanto nacionais como estrangeiros, precisam brigar, e muito, por espaço.

segunda-feira, 23 de março de 2009

5 Perguntas para Francinildo Sena

Francinildo Sena é um dos principais nomes do quadrinho independente nacional. Seu personagem Crânio foi criado em 1988 e publicado em revista própria até dezembro do ano passado, quando migrou para a NHQ. Com a mudança dos títulos da editora para o formato virtual, Francinildo criou seu próprio selo na Internet, a Senarte Quadrinhos, onde vem disponibilizando material histórico do Crânio e também aventuras inéditas, além de material de outros autores.

Francinildo Sena responde as 5 Perguntas do Papo de Quadrinho desta semana.

1) Como tem sido a aceitação dos leitores ao selo Senarte? Você mantém controle sobre o número de acessos ao blog ou das HQs baixadas?
Estou muito satisfeito com os resultados obtidos pelo blog. Os downloads das nossas edições virtuais já ultrapassaram a casa dos 500, o que significa que está agradando.

2) Quais as vantagens e desvantagens de se publicar quadrinhos pela Internet?
A principal vantagem é o fácil acesso ao nosso material. Para mim, não acho nenhuma desvantagem, já que faço quadrinhos sem visar retorno financeiro, apenas para manter viva a chama dos Quadrinhos Nacionais tão pouco divulgados.

3) Crânio vem sendo publicado de forma impressa em alguns títulos independentes, como Prismarte e Tempestade Cerebral. Há planos para que ele volte a estrelar sua própria revista?
No momento, não há planos imediatos de voltar com uma revista regular impressa do Crânio, mas é certo que ele continuará saindo em edições especiais .Até o final desse mês, deverá ser lançada a edição Crânio: Floresta Sangrenta, pelo selo Quadrinharte. Trará duas histórias e será vendida no site do Quadrinharte mesmo. Continuarei lançado edições virtuais do personagem no Senarte Quadrinhos e ele também terá uma publicação virtual no novo site da NHQ a partir de hoje (23). Também está sendo produzida uma nova HQ com Crânio e Escorpião ee Prata para a Tempestade Cerebral com roteiro e meu e de Eloyr Pacheco, e arte de Alex Genaro.

4) O selo Senarte dá espaço para a publicação virtual de outros autores, caso do Vulto Negro, Morbidus e outros. Quem quiser publicar seus trabalhos no blog, como deve fazer? Quais os critérios de seleção?
Meu principal objetivo sempre foi divulgar os Quadrinhos Nacionais. Levar ao conhecimento dos leitores de HQs que no Brasil temos muita coisa boa apesar da falta de apoio. Não precisa ser um grande profissional para ter seus Quadrinhos publicados no Senarte Quadrinhos, basta que seja material nacional de qualidade. Quem se interessar deve me enviar a HQ pelo e-mail fscranio20@yahoo.com.br já com a capa pronta, que passamos para o formato PDF e publicamos

5) Quais os lançamentos previstos pelo Senarte para este ano?
É com muita felicidade que anuncio que publicaremos uma revista virtual mensal em PDF da Velta do meu grande amigo Emir Ribeiro no Senarte Quadrinhos. A revista da Velta será totalmente em cores e já estamos elaborando a primeira edição. Com certeza, Velta dispensa apresentações. Teremos também edições dos já conhecidos heróis da revista Brado Retumbante, como Monte Castelo, Cabala e Arcanum, e de outros personagens não tão conhecidos como o Bispo. Ainda teremos novas edições do Crânio e os números finais do Cachorro de Rua e do Cara de Gato.

Nota do Editor: No tempo que levou para publicar esta entrevista, a revista do Crânio anunciada para sair pela Quadrinharte já ficou pronta e está disponível para compra no site da editora. Crânio: Floresta Sangrenta tem capa colorida, miolo P&B, 28 páginas, é toda feita em papel reciclado e custa R$ 4,00 já com frete incluso.

A revista trás duas histórias: Floresta Sangrenta (Francinildo Sena, Toni Néri e Orlando Maro) e Atormentado (roteiro e arte de Mark Novoselic; letras de Adriano Gon). O site da Quadrinharte também publica um perfil completo do personagem.

Outra novidade adiantada por Francinildo e que já está no ar é a revista Velta número 1 no site da Senarte Editora. Para baixar esta edição de estréia, clique aqui.

segunda-feira, 16 de março de 2009

5 Perguntas para Alex Mir

Alex Mir tem 33 anos e escreve desde os 12. Começou com matérias para as revistas Escalla News (Editora Escalla) e HQMania (Editora Magnum) e, depois de um tempo, partiu para a produção de quadrinhos. Em 2007, lançou Defensores da Pátria e Tempestade Cerebral, que já está no quarto número. No mesmo ano, publicou na revista Prismarte a história Um dia Quente em Cancun, que lhe valeu os prêmios de melhor roteirista, melhor personagem e melhor história no evento Melhores da Prismarte.

O editor da Tempestade Cerebral responde as 5 Perguntas do Papo de Quadrinho desta semana:


1) Tempestade Cerebral mistura diferentes gerações de autores numa mesma edição. Como é feita a seleção das histórias?
Para as primeiras edições, entrei em contato com alguns amigos e pedi algumas HQs para entrar na TC. Fiz uma seleção das histórias que recebi e distribuí pelas quatro edições. Em cada uma, busco publicar uma HQ fechada de outro autor, mas com o mix cada vez mais fechado, a tendência é que essas histórias fiquem mais raras. Para a edição de aniversário, lançada em dezembro passado, fui atrás daqueles autores que eu já conhecia e dos quais era fã, e fiz o convite para participarem da revista. A maioria aceitou.
Estou tentando montar um mix definido para a revista e cada vez chego mais perto disso. Hoje, por exemplo, temos quatro séries regulares:
Valkíria, Escorpião de Prata, Max Power e Força Mística. A partir da quinta edição, entra o Lorde Kramus. Tenho programadas para este ano as edições 5, 6 e 7 (esta será lançada no FIQ, em outubro) e já estou programando as edições para o ano que vem.

2) A revista chama atenção pela qualidade gráfica (formato flip-flap, papel e impressão de qualidade, várias capas). Como você faz para manter o título financeiramente viável?
A revista ainda não se paga, mas para uma publicação independente tem vendido bem. Todos os custos ainda saem do meu bolso, mas estou em negociação com alguns anunciantes já para publicação de anúncios na TC 5. Com quatro edições lançadas, a negociação fica um pouco mais fácil. O anunciante tem mais confiança de investir seu dinheiro.

3) Como é feita a distribuição de Tempestade Cerebral e como estão as vendas?
A TC é uma das revistas distribuídas pelo Quarto Mundo (coletivo de produtores independentes de quadrinhos). Aqui no ABC eu mesmo distribuo nas bancas. A revista tem uma saída boa também pela internet (orkut, e-mail, loja virtual Bodega, Comix). As vendas, apesar de ainda não pagarem os custos totais da revista, vêm aumentando a cada edição e isso nos anima a continuar, saber que a cada número a TC ganha mais leitores.

4) Qual sua base teórica como roteirista?
Eu leio muito desde que me conheço por gente. Como roteirista, sou autodidata. Mas sempre há a necessidade de aprimoramento, principalmente da parte técnica. Para escrever também existem macetes. Por isso estou fazendo o curso de roteiro de quadrinhos e cinema da Quanta e já fiz um de roteiro do SENAC. Tenho lido alguns livros como o Guia Oficial de Roteiros da DC Comics e A Palavra em Ação, do Marcelo Marat, publicado pela editora Marca de Fantasia.

5) Quais roteiristas estrangeiros e nacionais você admira?
Dos estrangeiros gosto muito dos escritores do Reino Unido. Meu preferido é Alan Moore. Eu admiro muito a facilidade que ele tem de lidar com alguns assuntos e transformá-los em ótimas histórias em quadrinhos. Monstro do Pântano, por exemplo, é puro xamanismo. Só Alan Moore consegue transformar o conceito do xamanismo em uma obra magnífica. Isso o diferencia dos outros. Qualquer outro roteirista poderia pegar esses conceitos e tentar utilizar no Monstro do Pântano, mas não conseguiria o mesmo resultado. O outro é Grant Morrison. O Homem Animal dele mudou muitos dos meus conceitos de como se contar histórias em quadrinhos. Essa fase do personagem ficou marcada pra mim. O Evangelho do Coiote está entre minhas histórias preferidas. Uma das melhores que eu já li em minha vida.
Dos nacionais, gosto muito do Wellington Srbek. Um dos meus primeiros contatos com material independente se deu no final da década de 90 na Bienal do Livro, onde adquiri edições da revista
Solar, criação dele. Naquele momento, eu percebi que era possível fazer quadrinho nacional de qualidade e mais, que no Brasil existiam, sim, roteiristas. E bons. Fora o fato de que o Srbek escreve muito! Além do Solar, destaco Muiraquitã e Estórias Gerais.


Mesmo com a revista Tempestade Cerebral caminhando para manter um mix cada vez mais fechado, Alex Mir garante que o espaço para novos autores continuará existindo. A preferência é por histórias fechadas, com no máximo oito páginas e do gênero Aventura (não obrigatoriamente de super-heróis).

Os interessados podem encaminhar o material para avaliação pelo e-mail alexandre1736@gmail.com.

segunda-feira, 9 de março de 2009

5 Perguntas para Raphael Fernandes

A nova série brasileira da MAD completa um ano de publicação neste mês. Desde a saída de Ota (não sem algum barulho) em setembro do ano passado, o jovem Raphael Fernandes – que começou cuidando da parte internacional do mix – assumiu o título integralmente.

Leitor de quadrinhos desde criança, formado em História e Jornalismo, Raphael chegou à Mythos/Panini disputando a vaga oferecida pelo editor-sênior Fernando Lopes durante uma palestra na USP. Depois de trabalhar com quadrinhos infantis da Marvel e álbuns da editora SAF, “ganhou” a MAD Especial do editor-chefe da Mythos, Hélcio Carvalho, ao alertá-lo de que ele estava repetindo uma matéria da edição anterior durante o fechamento.

Raphael Fernandes responde as 5 Perguntas do Papo de Quadrinho desta semana:



1) Por que a Panini resolver trazer a MAD de volta para o Brasil?

A MAD foi vendida para a Panini como uma revista de qualidade e que faz um sucesso enorme no mundo todo. Me lembra muito a história do "João e o Pé de Feijão", saca? Acabou dando certo, pois a revista é um sucesso entre os leitores e até mesmo entre alguns críticos (por incrível que pareça).

2) Como foi a formação da primeira equipe criativa e, depois da saída do Ota, como você chegou à equipe atual?
Como o clina na redação era turbulento, eu já estava esboçando uma equipe nacional "reserva" na minha cabeça. Então quando eu precisei assumir (a revista e não uma vida de borboleta) foi só ligar pros meus amigos da área que conhecem todo mundo (como o grande Franco de Rosa, Marcio Baraldi e o Gualberto Costa). Graças a eles, a equipe se tornou ainda mais forte e cheia de estrelas. o time inicial foi: Xalberto, Flávio, Marcatti, Baraldi, Vasqs, Bione, Ed Sarro, Paffaro, Heneh, Bira Dantas, Amorim, Jorge Barreto, Gilmar, Daniel Lafayette e revelamos os talentos de Raphael Salimena e João Pinho. Muitos destes nomes continuam no título e fui acrescentando outras figuras que foram aparecendo, como o espetacular capista Elias Silveira. Trabalhamos com um sistema de rodízio de colaboradores e isso dá uma cara nova a cada edição, mas sem perder a personalidade da revista.

3) Quais os critérios para compor o mix da revista entre material nacional e estrangeiro?
O principal critério para escolha de material é o quanto elas são engraçados e atuais. O segundo é se aquele material se encaixa na pauta que definimos para a edição. Obviamente, algumas coisas são obrigatórias, como Aragonés, Spy vs. Spy, dobradinha e outras coisinhas que fizeram história na revista.

4) Alguns leitores antigos da MAD dizem que na fase atual a revista "perdeu a graça". Quanto há de saudosismo e quanto há de verdade nessas críticas?
Boa parte destes leitores são fakes (personalidades falsas) de uma pessoa muito invejosa e chatonilda. Os outros são leitores que não gostam do estilo de humor que usamos na revista. O engraçado é que a fonte de inspiração são as edições americanas da MAD das décadas de 1970 e 80 aliadas aos quadrinhos nacionais. Deixamos a revista mais alegre e maluca, pois ela andava numas de "emo" e isso não tem nada a ver com a MAD. Também tem o caso dos leitores que envelhecem e perdem aquele espírito adolescente do humor da MAD, mas estes são um caso perdido para a humanidade.

5) Como será a edição de aniversário?
Parecia impossível, mas chegamos na edição 12 com tudo! Na capa, não poderíamos deixar de zoar toda a babaquice do BBB, numa matéria escrita por ninguém menos que Gian Danton (na revista também fazemos a primeira sátira da nova fase), zoamos o filme Crepúsculo, revelamos todos os segredos dos bastidores da adaptação de Dragon Ball Z e um monte de outras porcarias que vão tirar o leitor do sério. Ah, quase ia me esquecendo: nós teremos duas grandes surpresas... tá bom, tá bom! Vou revelar uma: nós vamos dar para o leitor um papel higiênico da MAD! Afinal de contas, eu não aguentava mais aquela velha piada idiota da MAD servir como papel higiênico.


A MAD é a revista de humor mais popular do mundo. Foi lançada nos Estados Unidos em 1952 pela EC Comics e hoje pertence à DC Comics. No Brasil, já saiu por quatro editoras: Vecchi (1974 a 1983), Record (1984 a 2000), Mythos (2000 a 2006) e, agora, pela Panini.

Raphael Fernandes é também colaborador da revista Wizmania e assina uma coluna no blog Sedentário e Hiperativo.