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terça-feira, 3 de agosto de 2010

DataTársis informa: Queremos um JOGO JUSTO!

Como os dois editores deste blog são fãs confessos de videogames, quero abrir um pequeno parêntese para militar sobre um tema que, tenho certeza, afeta todos os admiradores e jogadores.

É o projeto JOGO JUSTO.

A indústria global de videogames já ultrapassou a indústria do cinema e da música. Mas o Brasil representa apenas 0,5% da deste montante.

Por quê?

Por causa dos altos impostos que fazem consoles e jogos custarem até o triplo do que custam nos Estados Unidos. Essa situação é vexatória, sem sentido e um atraso ao País, que poderia lucrar muito com essa indústria. O Brasil tem hoje 195 milhões de habitantes, mais da metade é jovem, o que faz com que nosso mercado tenha enorme potencial para crescimento.

Hoje, os impostos absurdos:

- estimulam a pirataria ;
- prejudicam o consumidor;
- prejudicam os varejistas;
- prejudicam milhares de estudantes de desenvolvimento e design de games;
- prejudicam desenvolvedores e publishers de games;
- desestimulam investimentos nas tecnologias de ponta, necessárias para o desenvolvimento de jogos; e
- desestimulam as grandes empresas de games de investir no Brasil.

O projeto de lei 300/07, apresentado em 2007 pelo então deputado Carlito Merrs (PT-SC), estende para os videogames os benefícios que desoneram produtos de informática. Se for aprovado, os jogos vão ficar mais baratos instantaneamente.

O problema é que desde 2008 ele está parado na Comissão de Finanças do Senado. O relator é o deputado Antonio Palocci (PT-SP). Não é possível um projeto de lei de tamanho impacto econômico ficar paralisado dois anos.

Se você é fã de videogames ou simplesmente entende sua importância para a economia brazuca, converse com seus amigos e participe desse Jogo Justo.

sábado, 5 de junho de 2010

DataTársis Informa: Leia "O Paraíso de Zahra"

Não é de hoje que os quadrinhos usam sua força para falar de política e questões polêmicas, sobretudo para narrar abusos e outros acontecimentos perversos em países sem liberdade democrática.

Nesses últimos dias, uma série feita para a internet - ou webcomic - O Paraíso de Zahra, chamou a atenção da mídia nacional ao ganhar versão em língua portuguesa exatamente no momento em que o Presidente Lula estreitava os laços diplomáticos com o Irã, país alvo das críticas. Conheci o "O Paraíso de Zahra" graças a essa tradução.

A história mistura ficção a fatos reais e conta a luta de uma mãe em busca de seu filho, desaparecido após um protesto contra as eleições de junho de 2009 que mantiveram o presidente Mahmoud Ahmadinejad no poder.

Entre outras acusações graves, Ahmadinejad fraudou as eleições presidenciais que o mantiveram no poder. A oposição iraniana o denunciou, mas o governo sufocou os protestos com mortes e prisões, sobretudo na capital do país, Teerã, e em outras grandes cidades.

A HQ é criada em tempo real, como uma novela na internet. Sua autoria é mantida sob anonimato, pois o roteirista iraniano identificado apenas como "Amir" e o desenhista árabe "Khalil" têm certeza de que seus familiares no Irã podem sofrer represálias do governo caso suas identidades sejam reveladas.

Com previsão de término para agosto de 2011, O Paraíso de Zahra ganhará versão impressa no Brasil pela editora Leya.

Assim como Persépolis - genial criação em quadrinhos de Marjane Satrapi - O Paraíso de Zahra se revela por meio de uma força narrativa envolvente e corajosa para dar voz a uma nação sufocada pela ditadura e, ao mesmo tempo, apresenta uma indiscutível beleza gráfica.

Vale conferir.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

DataTársis Informa: Quem ganha com a compra Marvel pela Disney?

Por Társis Salvatore

Como foi amplamente divulgado, a gigante do entretenimento informou nesta segunda-feira que comprará a Marvel por módicos US$ 4 bilhões.

Aproximadamente cinco mil personagens, incluídos os direitos para filmagens, de ícones mundialmente conhecidos como Homem-Aranha, Vingadores e Quarteto Fantástico ficarão sob o guarda-chuva do império Disney.

“Acreditamos que somando a Marvel a um único portfólio de marcas da Disney teremos significativas oportunidades de crescer e criar valor a longo prazo”, declarou o presidente e diretor-executivo da Disney, Robert Iger.

Os fãs querem saber apenas uma coisa: o que vai mudar? Mickey ganhará esqueleto de adamantium? Patópolis será invadida por Skrulls? A Marvel sofrerá censura ou terá interferência na parte criativa de suas revistas?

Papo de Quadrinho se fez a mesma pergunta e arrisca seu pescoço em algumas conjecturas.

De cara, a fusão foi boa para um grupo de pessoas: os acionistas da Marvel, que viram seus papéis valorizarem 27% do dia para a noite.

Mas e os milhões de fãs e leitores ao redor do mundo? Embora seja reconhecida como uma empresa conservadora, a Disney deve utilizar de seu know-how para desenvolver parques temáticos e brinquedos para a gurizada, ajudando a divulgar ainda mais os heróis da Casa das Ideias para um público jovem que não tem nos gibis uma fonte de entretenimento como seus pais tiveram.

Os desenhos animados da Marvel podem dar um salto de qualidade graças à Pixar, que certamente deve se envolver nos projetos.

Na área de quadrinhos, o controverso editor-chefe da Marvel, Joe Quesada, declarou em seu twitter: “Todo mundo pode respirar aliviado. Todas suas revistas favoritas continuam inalteradas.”

Também o editor sênior da Marvel no Brasil, Fernando Lopes, postou no twitter: “A Disney vai respeitar acordos de produção e distribuição, nenhuma interferência criativa, novas oportunidades. Vejamos no que dá”

Nem faria sentido a Disney intervir nos quadrinhos da Marvel, que hoje detém quase metade do mercado norte-americano de quadrinhos.

Resumindo: se as tendências positivas se confirmarem, a Marvel ganhará ainda mais em exposição com o público infanto-juvenil, terá melhores desenhos animados com seus grandes personagens, produzirá novos filmes e seus quadrinhos continuarão seguindo o rumo atual.

Para aqueles que temem que a Disney faça filmes de super-heróis infantilizados, para uma faixa etária mais jovem, vale lembrar ela possui o selo Miramax, responsável por grandes filmes de temática adulta.

Por fim, resta se divertir com as 10 possíveis interferências da Disney em sua nova marca:

1. A Mansão dos Vingadores passa a ser na Caixa Forte do Tio Patinhas;
2. Loki e Maga Patalógika unem forças contra os Novos Vingadores, agora, acrescidos de Superpato e Morcego Vermelho;
3. Os X-Men passam a ser comandados pelo Professor Ludovico;
4. A Rainha Má da Branca de Neve agora faz parte do Clube do Inferno;
5. Magneto afirma que os patos falantes são mutantes e o próximo estágio evolucionário da humanidade;
6. Exposto aos raios gama e Césio 137, surge o terrível gigante esperalda: Zé Carioca;
7. Lobão, Zé Grandão, João Honesto, Capitão Gancho, Dr.Estigma e João Bafo de Onça formarão o novo Sexteto Sinistro;
8. Mickey Mouse é o novo Comandante da SHIELD;
9. Namor anuncia seu casamento com a Pequena Sereia;
10. Justiceiro vai caçar os Irmãos Metralha.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

DataTársis Informa: Para gostar de Quadrinhos

Conversando informalmente com minha amiga Silvana, bibliotecária e expert em leitura para crianças e jovens, ela demonstrou toda sua inquietação diante do fato de não conhecer praticamente nada sobre gibis. Essa conversa me motivou a escrever uma singela lista indicando alguns títulos em quadrinhos fundamentais para gostar ou pelo menos conhecer um pouco do que as HQs podem oferecer. E, principalmente, desfazer essa idéia secular de que gibi é coisa de criança.

Verdade que os meios acadêmicos perderam um pouco do ranço preconceituoso e, agora, muita gente se deu conta do poder dos quadrinhos, sobretudo no âmbito educacional. Resta escolher seu favorito, indicar, ler e se divertir!

Embora os leitores habituais desse espaço já saibam disso, vale dizer que este texto é didático e para leigos. Daí esta pequena introdução.

Revistas em Quadrinhos ou Gibis: é uma forma de arte ilustrada que mistura texto e imagem com o objetivo de narrar histórias dos mais variados gêneros e estilos. Além disso, os quadrinhos movimentam uma indústria poderosa que influencia outras artes - sobretudo o cinema - e movimenta milhões de dólares em subprodutos licenciados, fazendo a cabeça de gerações de fãs em todo o mundo.

Os gêneros
Os mais conhecidos da mídia são os quadrinhos de super-heróis, que basicamente se desenvolveram nos Estados Unidos, o maior consumidor mundial de gibis deste e de outros gêneros.

No Japão, há os mangás, lidos de trás para frente e com temas variados. O Japão é o segundo maior produtor e consumidor mundial de quadrinhos.

Existem outros gêneros de gibis, como os underground (designação para quadrinhos com temáticas adultas e subversivas), muito forte nos Estados Unidos, mas que existem em outros países incluindo o Brasil.

Há os quadrinhos franco-belgas, que não tratam necessariamente de super-heróis, assim conhecidos por terem nascido e se desenvolvido na França. Há os fumetti, quadrinhos italianos, que tratam de heróis que não têm necessariamente superpoderes.

As editoras
Existem muitas editoras tradicionais de quadrinhos em todo o mundo. Nos Estados Unidos, duas grandes editoras dominam o mercado:

DC Comics, criadora do Batman, Superman, Mulher-Maravilha, Liga da Justiça etc; e Marvel Comics, criadora do Homem-Aranha, Homem de Ferro, Quarteto Fantástico, Thor, Hulk, Vingadores etc.

Curiosidade: cada editora trabalha com seus personagens e os encontros entre eles aconteceram poucas vezes; logo não é comum ver o Homem-Aranha junto com o Superman simplesmente porque eles existem em universos diferentes!

No Brasil temos diversas editoras que publicam quadrinhos, seja em formato convencional ou em edições especiais. Conrad, Panini e Devir são algumas das principais.

Dicas, truques e leituras.
Não se trata de um grande guia e sim apenas uma (curta) lista de leitura agradável e recomendada para um público não tão afeito ao gibi. Quem quiser contribuir com suas próprias dicas, fique à vontade.

1. Batman, A Piada Mortal
Super-heróis sempre sofreram um preconceito histórico por parte dos meios acadêmicos. Ao longo dos anos a temática heróica foi se transformando, até que grandes roteiristas utilizaram ícones heróicos para produzir histórias inquietantes e com temática adulta. Como Batman e Coringa são conhecidos do grande público, A Piada Mortal é uma leitura obrigatória: narra a suposta origem do Palhaço do Crime recriada pelo grande escritor dos quadrinhos, o renomado Alan Moore. Sua narrativa é complexa e exige uma análise profunda dos personagens e seu simbolismo, além das tramas contadas paralelamente. É uma história pesada e violenta, na qual o Coringa expõe o auge de sua insanidade. Se você considera super-heróis uma besteira, esteja preparado para o choque.

2. Um Contrato com Deus
Graphic Novel é um termo usado para designar um quadrinho especial, uma obra completa de quadrinhos com teor literário, temas adultos e muitas vezes em formato encadernado. O mestre Will Eisner, criador do termo, não é reverenciado à toa. Eisner, falecido em 2005, participou de toda a história da industria americana de quadrinhos. Criou o personagem The Spirit, ensinou Técnicas de Quadrinhos na Escola de Artes Visuais de Nova York e escreveu obras fundamentais sobre o tema: Os Quadrinhos e a Arte Sequencial (Comics and Sequential Art) e A Narrativa Gráfica (Graphic Storytelling).

Um Contrato com Deus & Outras Histórias de Cortiço é um marco dos quadrinhos. Foi lançada originalmente em 1978 e mostra quatro histórias de pessoas comuns, que vivem no pobre bairro do Bronx nos anos 30. Leia esse belíssimo gibi e se emocione. Dica: procure a bibliografia de Eisner para conhecer outras obras espetaculares deste mestre dos quadrinhos.

3. Sandman, o mestre dos sonhos
Escrita pelo renomado Neil Gaiman, autor de numerosos sucessos de crítica e público, a série Sandman foi relançada no Brasil em 2005 e mistura terror, sonho e fantasia, em um mergulho ao mundo da mitologia, da magia e do universo fantástico. O Mestre dos Sonhos, Sandman, é aprisionado por um grupo de ocultistas e após se libertar começa sua busca para reaver as ferramentas de poder roubadas e, claro, vingança!

A série que recebeu diversos prêmios nacionais e estrangeiros e rendeu uma belíssima edição encadernada da editora Conrad, com direito a prefácio especial do próprio Neil Gaiman aos fãs brasileiros. Dica: São muitos encadernados, comece a história pela ordem correta. Os adolescentes adoram as histórias do Sandman, especialmente as meninas.

4. Asterix
Asterix é um baixinho gaulês criado na França por Albert Uderzo e René Goscinny em 1959. Suas histórias foram traduzidas para mais de 100 idiomas, sendo lançados 33 álbuns, 11 adaptações para o cinema (8 animações e 3 com atores), jogos, brinquedos e um parque temático. É um verdadeiro ícone dos quadrinhos franco-belgas, um tipo de quadrinho não baseado em super-heróis de extrema qualidade. Procure algum desses álbuns lançados no Brasil e divirta-se! Dica: As histórias são ótimas, os personagens divertidos e a leitura é indicada para todas as idades.

5. Príncipe Valente
Harold Foster, um dos mestres criadores dos primórdios dos quadrinhos, publicou a primeira tira do Príncipe Valente em 1937. O personagem é contemporâneo do mítico Rei Arthur, vive histórias primorosas ambientadas numa arte paisagística e foi elaborado com rigor acadêmico em contrates de preto e branco, Foster soube dar beleza e profundidade humana aos personagens, sem perder a magia de suas aventuras e batalhas. Considerado um clássico dos quadrinhos, é leitura imperdível. Dica: Editado em volumes no Brasil, alguns esgotados, o segredo é garimpar em sebos especializados ou livrarias.

6. Watchmen
HQ criada por Alan Moore e David Gibbons no sanos 80. No contexto dos quadrinhos daquela época, Watchmem é uma das obras responsáveis por despertar o interesse do público adulto para um formato até então considerado infanto-juvenil. A premissa básica é: como seria o mundo real se existissem heróis mascarados? Apresentando uma trama complexa e personagens ambíguos, Watchmen é um clássico contemporâneo, cuja história acabou de receber uma ótima versão cinematográfica. Dica: A trama envolve questões históricas e morais, os personagens são complexos e a trama, densa. Indicado também para quem gosta de contos policiais.

7. Valsa com Bashir
Obra criada por Ari Folman com ilustrações de David Polansky, sobre material original do documentário israelense homônimo. Narra a história de um ex-soldado israelense que tenta recuperar a memória perdida em um massacre de palestinos do qual participou. É uma obra pesada e que narra episódios de guerra nunca antes relatados. Dica: A Valsa com Bashir é uma adaptação de um documentário animado, procure!

8. Os Lusíadas em Quadrinhos
A clássica epopéia de Luís Vaz de Camões, publicada originalmente em 1572, virou uma HQ nas mãos do ilustrador e cartunista paulistano Fido Nesti. A edição tem uma breve biografia de Camões, também em quadrinhos, contada por ele mesmo. Fido escolheu as mais interessantes passagens dos 8.816 versos da obra original e as transformou no segundo título da série Clássicos em HQ – o primeiro é uma versão de Dom Quixote pelo cartunista Caco Galhardo. Dica: Compre!

9. Os Fugitivos
Fugitivos (Runaways) foi criada pelo badalado roteirista Brian K. Vaughan e ilustrada por Adrian Alphona. Trata-se de um grupo super-heróis adolescentes que descobre que seus pais são um grupo de supervilões. Com isso, resolvem fugir de casa e usar suas habilidades para derrotá-los. As histórias envolvem aventura, morte reviravolta e personagens carismáticos.

10. Giovanna Casotto
Ilustradora italiana de quadrinhos eróticos. A beleza de seu trabalho aliada a histórias de sacanagem explícita fizeram de Giovanna Casotto uma espécie de embaixatriz italiana do sexo. Casotto obteve reconhecimento e sucesso pela Europa e Estados Unidos com suas ilustrações impecavelmente realistas. O tratamento editorial dado ao seu livro, lançado no Brasil pela editora Conrad, faz de Casotto uma obra de arte – para maiores de 18 anos. Dica: Use com moderação e libere as fantasias ;-)

11. Calvin e Haroldo
Criada em 1985 pelo misantropo Bill Waterson, que durante dez anos alegrou crianças e adultos em mais de 2.400 jornais ao redor do mundo. Calvin é um guri hiperativo de seis anos, cujo maior amigo é o tigre de pelúcia Haroldo - que ganha vida quando não existe nenhum adulto por perto. Ao lado das fantasias e brincadeiras da dupla, surgem questões sobre política, cultura, sociedade e a relação de Calvin com seus pais, colegas e professores. Dica: Existem diversos encadernados de Calvin e Haroldo lançados no Brasil. Compre todos se puder.

12. Níquel Náusea
Genial criação do cartunista paulistano Fernando Gonsales, um veterinário e autor de histórias em quadrinhos, seu personagem Níquel Náusea começou a ser publicado na Folha de São Paulo em 1985, onde está até hoje. Níquel Náusea é uma evidente trocadilho com o famoso rato da Disney, Mickey Mouse, e as tiras trazem tiradas humorísticas sempre ambientadas por animais. Dica: Existem diversos encadernados, muitos coloridos, todos excepcionais.. Compre todos se puder.

Um mundo inteiro de bons quadrinhos ficou de fora, mas aqui há um bom começo. Gibis existem para todos os gostos, idades e bolsos. Lembre-se que tanto nas bancas como em revistarias, sebos e lojas especializadas, muitas revistas podem ser encontradas a preços acessíveis e são uma fonte inesgotável de diversão, prazer e leitura de qualidade.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

DataTársis Informa: Comemorem! É 15 de abril, dia do Desenhista!

Hoje, dia 15 de abril, é considerado o Dia Mundial do Desenhista e do Ilustrador.

Algumas pessoas não gostam de comemorar datas, eu respeito. Mas acho interessante a comemoração como forma de prestigio aos profissionais do desenho, sugerindo, ao mesmo tempo, uma reflexão sobre seu trabalho.

Os fãs da nobre arte dos quadrinhos devem celebrar ainda mais, pois os profissionais do desenho e da ilustração são parte fundamental deste objeto que nos encanta e cria um universo de sonho.

Parabéns a estes profissionais que fazem de sua arte o prazer de milhões de leitores e apreciadores pelo globo.

Um abraço,

Jota e Társis

quarta-feira, 1 de abril de 2009

DataTársis Informa: Taikodom, um universo made in Brazil

Por Társis Salvatore

O Taikodom pode ser descrito como um jogo massivo, que permite uma multidão de batalhas espaciais simultâneas, mas a verdade é que ele não é apenas isso. É um projeto ousado de ficção científica em que um jogo é o clímax de um universo minuciosamente criado para trazer ao taikonauta uma experiência real, única e complexa de como seria viver em uma utopia espacial.

Tudo começa com o sonho de um fã de ficção científica, Tarqüínio Teles, que antes de transformar o jogo em realidade precisou se aventurar por outra utopia: criar uma empresa brasileira para desenvolver jogos de computador. Embora o mercado mundial de jogos eletrônicos movimente 42 bilhões de dólares anualmente, o Brasil ainda fica muito atrás do restante do mundo, mesmo com exceções.

Dez anos e muitas batalhas reais depois, a Hoplon, empresa de Teles, criou o universo de Taikodom, culminando em um jogo para computadores no qual os participantes vivem uma experiência espacial numa sociedade do futuro e podem montar até setenta variações de personagens e quarenta tipos de naves para disputar uma experiência virtual com ininterrupta ação on-line.

Pode ainda ser melhor? Pode! O jogo é liberado para baixar gratuitamente, tem os menus em português e inglês e quando o taikonauta quiser aperfeiçoar sua experiência de jogo, compra itens e obtém vantagens especiais.

O que é o Taikodom?

Conhecer a história deste universo ficcional não é apenas divertido como o ajudará a curtir mais o jogo. Para isso, o projeto multimídia inclui vídeos, livros e claro, quadrinhos.

A história oficial começa no início do século XXI e se estende por mais de um quarto de milênio, até a segunda metade do século XXIII.

A humanidade perdeu a Terra graças a um fenômeno chamado Restrição, que isolou e dizimou a raça humana ao mesmo tempo. Em 23 de janeiro de 2073, época em que já havia mais de 30 milhões de pessoas vivendo no espaço e na Lua, deu-se a Restrição da Terra.

Uma força misteriosa estabeleceu um campo energético impenetrável em torno do nosso planeta. Naves e objetos materiais ainda podiam deixar a atmosfera, mas nada conseguia voltar e ultrapassar a barreira. A Restrição aplicou o golpe de misericórdia numa civilização global já em franca crise econômica, climática e ambiental.

Dezenas de milhões de terrestres fugiram do holocausto planetário. A vasta maioria desses sobreviventes saiu do planeta, graças aos esforços dos espaciais, nas “naves do desespero”. Os imigrantes que não tiveram condições de bancar suas fugas foram obrigados a concordar com as condições impostas pelos spacers: deixaram o planeta em hibernáculos, casulos que os manteriam em estado de animação suspensa e nos quais permaneceriam até que as comunidades spacers e selenitas tivessem condições de reabsorvê-los, alocando-os num nicho socioeconômico qualquer.

No tempo em que se passa o jogo, no século XXIII, existem dois tipos básicos de humanos espalhados pela periferia galáctica: as estirpes espaciais, descendentes dos antigos pioneiros, residentes nos habitats orbitais e na Lua; e os humanos como nós, nascidos na Terra.

Os pioneiros exploradores se subdividiram em spacers (que vivem em seus habitats artificiais no espaço), belters (que descendem dos primeiros aventureiros espaciais e que ousaram colonizar o cinturão de asteróides e os núcleos cometários do Sistema Solar) e worms (que vivem em cidades fixadas na superfície dos planetas).

Constituídas pelas antigas elites intelectual, científica e gerencial da humanidade terrestre, as estirpes espaciais adotaram desde cedo critérios de promoção social e profissional estritamente meritocráticos e implementaram aperfeiçoamentos notáveis no genoma humano. A maioria das comunidades dessas estirpes aboliu há muito os conceitos de família e nação.

O Consortium, grupo de mega corporações que administra o espaço e toda a vida contida nele, tornou a vida tecnologicamente perfeita. A morte como conhecíamos não existe mais, graças ao desenvolvimento dos Registros Padrão de Personalidade (RPP) em mídia inorgânica. Após sua morte, basta usar o registro gravado e fazer o upload de sua personalidade e memória em cérebros virgens de clones de segurança.

Eis que você é libertado de seu hibernáculo que o mantinha em estado de animação suspensa e agora precisa encarar a uma nova realidade, muito diferente daquela que já existiu.

Projeto Multimídia

Para embasar todo esta incrível história, foram lançados até agora dois belos livros. O primeiro, Derpertar, de J.M. Beraldo, narra a vida de dois “Ressurrectos”, homens que saíram de seus casulos de hibernação e são considerados cidadãos de segunda classe, reeducados para suportar minimamente o choque de viver no espaço com uma humanidade que conquistou as estrelas, extinguiu a miséria e derrotou a morte.

Beraldo é escritor de ficção científica e game designer do próprio Taikodom e consegue narrar com profunda segurança a primeira aventura da série que apresenta os conceitos do jogo em um primoroso romance de ficção científica.

Depois foi a vez de Crônicas, livro de Gerson Lodi-Ribeiro, reunindo diferentes histórias ambientadas nas aventuras dos personagens do Taikodom.

Além desses dois livros excelentes, o projeto incluiu quadrinhos. Está previsto o lançamento da minissérie Eterno Retorno, dividida em cinco episódios, com roteiro de Roctavio de Castro e arte de Eduardo Ferrara.

A HQ introdutória que se passa antes de Eterno Retorno também é ilustrada por Ferrara e pode ser conferida aqui – se tiver dificuldades para ver a HQ, baixe o Adobe Acrobat Reader.

O Taikodom traz todo um universo de possibilidades aos entusiastas da ficção científica, com a vantagem de ser um projeto genuinamente brazuca, desenvolvido com visão e personalidade.

A alta qualidade das histórias, embasamento do jogo, a beleza e ótima jogabilidade do game, o fato de ser um massivo e permitir um grupo praticamente infinito de jogadores simultâneos, todos esses atrativos coroam este projeto extraordinário.

Se você é fã de ficção científica, conheça o Taikodom. Imperdível!

quarta-feira, 25 de março de 2009

DataTársis Informa: Os 10 piores filmes baseados em quadrinhos são...

Por Társis Salvatore

O ser humano é incrível. Diz que detesta uma coisa e quer esquecer. Mas seu cérebro primata, por vezes, absorve mais porcaria do que coisa boa.

Assim como listei os melhores filmes baseados em quadrinhos, não poderia deixar de falar dos piores, uma elite altamente radioativa, horrenda e, por que não dizer, muito engraçada.

E falando em horror, aqui estão eles. Novamente convido os leitores a aprovarem, contestarem ou simplesmente deixarem aqui suas próprias listas.

10-Tank Girl (1995)
Apesar de encabeçar minha lista na décima posição, não chega a ser a pior das adaptações - se você não a levar muito a sério. O elenco é bom, a idéia é boa, mas sabe quando uma pessoa tem todos os ingredientes para um bolo, se esforça, e o bolo fica… ruim ? Pois é. A trilha sonora é bacana. Merecia um remake bem feito.

9- Hulk (2003)
Nunca fui muito fã do Gigante Esmeralda, mas torço sempre para os filmes sobre super-heróis daram certo, já que sou de uma geração em que eles (os filmes) praticamente não existiam. No embalo do sucesso de Blade, a Marvel lançou o primeiro filme do Hulk, com o ótimo Erik Bana, a linda Jennifer Connelly e grande elenco. O filme ia bem até aparecer ninguém menos que ele … o Shrek, que já tinha trabalho em um desenho próprio em 2001… depois disso vieram poodles mutantes e, dali em diante, eu desmaiei e não me lembro de mais nada…

8- Elektra (2005)
Jenifer Garner é bonita e mandou muito bem no seriado Alias. Daí, por alguma razão que ninguém entendeu realmente (teste do sofá?), ela foi convidada para ser a Elektra, a sexy ninja coadjuvante das histórias do Demolidor, uma anti-heroína que também teve bons momentos nos quadrinhos. Bom, valeu a tentativa. Pelo menos havia cobras no lugar de poodles.

7– Capitão América (1979)
Um cara matusquela com asinhas pintadas no capacete de moto, fantasiado com uma roupa comprada na 25 de março ou no Saara. Esse é o nosso Capitão América. No roteiro, tudo errado. O cara que toma a fórmula do super-soldado é o filho do cientista que a desenvolveu mas que.. bom, melhor parar por aqui.

6- Doutor Estranho (1978)
Antes de ser o Mago Supremo versão Disco, o Stephen Strange deste filme é psiquiatra (não cirurgião) e para salvar sua paciente, Cléa, deve se iniciar nas artes místicas. Depois, com todo aquele clima dos anos 70, o Mago Disco deve enfrentar a feiticeira Morgana Le Fey que abrirá um portal para trazer um demônio que acabará com a Terra... Ah, você entendeu, né?

5– Aço (1997)
Shaquille O'Neal vive o herói Aço! Preciso falar mais? Impossível dar certo. Ele podia ter feito Blankman !!!

4- The Spirit (1987)
Imagine que Denny Colt, supostamente morto, volta dos umbrais do além para combater o crime como Spirit... em plenos anos 80!!! Esse filme de 1987 nem sonha com o clima noir das HQs do Will Eisner. E tem gente que ainda reclama do filme novo…

3– Liga da Justiça (1997)
É o único filme da Liga, embora haja rumores de que haverá um novo em 2011. Ok! Lembram da fase Keith Giffen dos quadrinhos da Liga nos anos 80? Bom, imagine agora o que aconece quando Flash, Átomo, Fogo, Gelo e Lanterna Verde decidem morar em um apartamento porque estão meio na pindura. As interpretações são funestas, os (d)efeitos especiais à la Jaspion. Se está pensando em se matar, veja esse filme, passe mal de rir e morra engasgado com a pipoca. Um fim à altura.

2- Quarteto Fantástico (1994)
O grande mestre contemporâneo do cinema trash, a lenda viva, o produtor Roger Corman produziu uma (a)versão do filme do Quarteto Fantástico, com (d)efeitos especiais absoutamente pavorosos. Destaque para a roupa do Cocôisa, uma versão marrom do Coisa. Como bem lembra o jornalista André Morelli, o final dessa versão embraçosa é emblemático ao mostrar o Senhor Fantástico dando tchauzinho com uma mão de pau. Arte pura.

1- Mulher Gato (2004)
A atriz Halle Berry é maravilhosa. Ela tem mais de 40 anos! Meu Deus, como uma mulher já na casa dos 40 pode ser tão bonita?! Além do estilo, ela tem charme. Além do charme, ela tem curvas, uma expressão de inocência que pode ser revertida como perversidade latente, desejo e principalmente.. Hã? Que filme…?

quarta-feira, 18 de março de 2009

DataTársis informa: Os 10 melhores filmes baseados em quadrinhos são...

Por Társis Salvatore

Todo mundo já fez uma lista oficial de filmes (bons e ruins) baseados em quadrinhos. Não poderia ser diferente, já que as adaptações já se tornaram praticamente um subgênero cinematográfico.

Em minha singela coluna, me atrevo a lançar minha lista e convido os leitores à aprovarem, contestarem ou simplesmente deixarem aqui suas próprias listas.

Preparados? Ai vai:

10 – The Rocketeer (1991)
Baseado nos quadrinhos com o mesmo título, é um filme divertido, que teria melhor sorte com os efeitos especiais que temos hoje. Ainda assim, eu gosto muito.





9 – Ghost World (2001)
Adaptação da história de um quadrinhista underground americano chamado Daniel Clowes. O elenco tem o grande Steve Buscemi. Muito bacana, foge dos filmes de super-heróis. Altamente recomendado.





8 – Estrada para a Perdição (2002)
Um drama maravilhoso, também para fugir das adaptações de super-heróis. Com Tom Hanks e Paul Newman entre outras feras. Detalhe é que esse é o único filme da lista que eu não li na versão original. Estrada para a Perdição é um gibi de Collins & Rayner. O filme, pelo menos é imperdível.


7 – Hellboy (2004 e 2008)
Guillermo del Toro trouxe com maestria as aventuras de Hellboy, um herói não tão famoso, mas muito interessante, para as telonas. São dois filmes excelentes.





6 – Sin City (2005)
Uma adaptação primorosa dos quadrinhos de Frank Miller. Deveria estar entre os três primeiros da minha lista, não fosse pelo fato de ter a mesma estética de 300, também de Miller.





5 – Batman Begins (2005)
Finalmente um filme do Batman decente. Mesmo sendo fã do maior gótico do mundo (Tim Burton), não deu para engolir os filmes do Morcego dirigidos por ele. Esse reboot trouxe o Batman de volta como um herói respeitável e uma fez uma bela introdução para o Cavaleiro das Trevas, que viria em seguida.



4 – Homem-Aranha (2002 e 2004)
Ótimo filme e boa continuação. Excelentes, divertidíssimos. Já o terceiro…






3 – Homem de Ferro (2008)
Um filme surpreendentemente bom e divertido, com Robert Downey Jr. e grande elenco. Muito bem dirigido, tem uma história bem adaptada e uma atualização inteligente para a origem do Ferroso.




2 – Superman (1978)
Foi a primeira grande adaptação de um super-herói para o cinemão. O roteiro e o elenco eram muito bons, os efeitos especiais enchiam os olhos em plena década de 80. (O filme é de 78, mas eu só o vi na década de 80; lembre-se do “delay” que existia antes da globalização).



1 – 300 (2007)
Para mim, a melhor adaptação de uma história em quadrinhos para o cinema. Por diversas razões, que vão desde o visual até o roteiro, passando pela ótima atuação de seus personagens. O visual, mesmo não sendo uma novidade - pois já havia sido experimentado com Sin City em 2005 - ainda impressionava. A Batalha das Termópilas não é uma história que venceu os séculos à toa. Filme nota 10.


Em tempo: este articulista não viu ainda Watchmen.

quarta-feira, 11 de março de 2009

DataTársis Informa: Um Multiverso chamado Biblioteca

Por Társis Salvatore

Sei que esse é um assunto complexo, cavernoso e por que não dizer... antipático?

Mas vou timidamente fazer um apelo para que cada um que ler e concordar com essas mal traçadas linhas seja um agente fomentador da ideia, uma semente lançada ao vento.

Já falei da Gibiteca Henfil e de como sou entusiasta das bibliotecas e gibitecas. São verdadeiros oásis de informação, lazer e cultura e, o melhor, tudo na faixa!

Infelizmente o Brasil desdenha destes espaços, o que é lamentável. Destina o mínimo de verba para esses locais. Graças a essa falta de incentivo e um histórico de ignorância, o brasileiro médio não tem gosto pela leitura e, consequentemente, uma nação que não lê, que não é bem informada, não é uma nação de verdade.

As pessoas não se dão conta do óbvio. A tarefa específica das bibliotecas consiste em adquirir, organizar, conservar e colocar o conteúdo intelectual à disposição do público independentemente do suporte (papel, gibis, CD, internet), para que possa ser localizado e utilizado.

Nenhuma outra instituição leva a cabo este trabalho moroso e sistemático. Na Sociedade da Informação, o conhecimento constitui o principal recurso e a informação, a matéria-prima mais importante.

Considerando que as bibliotecas e os serviços de informação têm um papel insubstituível em uma sociedade de informação, organizar o acesso ao conhecimento é fundamental para construir uma nação melhor por meio da leitura.

Minha luta como fã das bibliotecas, frequentador e militante da educação de qualidade, é fazer minha parte, indicar, falar, reclamar, avisar. O choro é livre, mas uma nação verdadeiramente livre só existe quando tem educação de qualidade.

E os quadrinhos cada vez mais fazem parte de uma elite educadora, principalmente pelo seu caráter de leitura descompromissada, uma forma de diversão leve e poderosa.

Pense nisso e adote essa idéia.

Incentive seus filhos a ler quadrinhos e livros, “perca” mais tempo lendo, inclusive nas bibliotecas/gibitecas. Não apenas para fazer trabalho de escola. Visite, conheça, participe da biblioteca mais próxima da sua casa.

Sei que os apelos do mundo multimídia são grandes e todo mundo os adora (eu principalmente). Mas lembre-se: tudo nasce da palavra é ela quem criou o mundo.

Feito esse discurso apaixonado, termino indicando uma visita à Gibiteca/Biblioteca Monteiro Lobato. Dona do maior acervo infanto-juvenil da cidade de São Paulo, a Monteiro Lobato tem cerca de 3.500 itens, entre gibis, álbuns, mangás, fanzines e RPGs, que compõem seu coleção novinha em folha.

O espaço também irá promover encontros e oficinas sobre quadrinhos, história e cultura.

SERVIÇO:
Gibiteca/Biblioteca Infanto-Juvenil Monteiro LobatoRua General Jardim, 485 - Vila Buarque - Centro
Telefone: 11 3256-4438
Atende de segunda a sábado das 10h às 17h e no domingo das 10h às 14h

quarta-feira, 4 de março de 2009

DataTársis Informa: "Who watches the Nerds?"



Acredite se quiser: quando eu era adolescente não existia internet. Nem mp3, nem scans e, obviamente, não existiam downloads.

Assistíamos a Esquadrão Classe A dublado e ninguém reclamava. O humor da TV Pirata era escrachado, politicamente incorreto e absolutamente engraçado. Chavez era apenas um palerma de um cortiço que alegrava as tardes do SBT.

Nesse cenário, parece estranho imaginar que qualquer novidade demorava uns bons 10 anos para aportar aqui no Brasil.

Nesse estranho período, os anos 80, os gibis tiveram sua grande explosão. Em 1988, enquanto o mundo caminhava para grandes mudanças graças ao poder do computador pessoal, que seria popularizado na década seguinte, chegou às bancas brasileira, pela primeira vez, Watchmen.

Lembro que a minissérie publicada em 6 partes pela Editora Abril – e não em 12 como no original - causou mais furor que Batman: O Cavaleiro das Trevas (1987) de Frank Miller. A inocência e o bom mocismo dos super-heróis ocidentais tinha chegado ao fim.

Não foi difícil ficar maravilhado com a leitura daquela série. Não saber se os "aventureiros fantasiados" venceriam era incomum - exceto por Lobo Solitário e o brilhante desenho da Patrulha Estrelar. Mas afinal, os japoneses sempre foram mais sérios e trágicos.

21 anos depois de ler a história dos heróis problemáticos e de carater dúblio que pretendiam salvar o mundo, Watchmen está de volta com uma roupagem hightech. A mídia não é mais o gibi, mas o choque de sua história e sua densidade devem ser os mesmos.

Os informes do Jota dão conta de que a magia está toda ali. Eu mesmo assisti a 30 minutos do filme e fiquei impressionado. A obra de Alan Moore e Dave Gibbons parece perservada, apenas transposta para a telona.

Ainda bem, pois não há efeitos especiais que sobrevivam sem uma grande história. Basta manter a essência que a grandiosidade de um trabalho aparece, sempre.

Me senti muito sortudo por naquele longínquo 1988 ter conhecido o amadurecimento dos quadrinhos de super-heróis, exatamente no momento em que eu mesmo amadurecia.

E me sinto privilegiado agora por ter a oportunidade de ver a obra se expandir e ressurgir para un novo público que será levado a conhecê-la.

Afinal uma obra que trata de questões fundamentais não envelhece.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

DataTársis informa: Amei a Menina Infinito ao som de Snow Patrol

Menina Infinito é uma criação do carioca Fábio Lyra, vencedor com méritos do Prêmio Ângelo Agostini deste ano.

Narra as aventuras da jovem Mônica, uma carioca que vive em clubes e festas indies (expressão para “independente”, bandas de rock fora da grande mídia). Ela, assim e seus amigos refletem as desorientações e agruras típicas da idade, mas sempre com boa música e referências da cultura pop.

Para um grupo urbano em que o indie rock era uma poderosa trilha sonora de prazer e guia de comportamento, as histórias são muito próximas. Lyra viveu sua pós-adolescência no início dos anos 90 e como amante de bandas “alternativas”, teve o privilégio de ouvir toda uma geração de grandes grupos ingleses daquele período, uma herança que passou para seus personagens. Teenage Fanclub, Pulp, Ride, Pixies, The Boo Radley, entre outras, estão sempre presentes, seja em citações seja em emoções.


A musica é recorrente em toda a saga da Menina Infinito - que não tem superpoderes, mas tem uma bela coleção de camisetas de bandas.

O grafismo refinado Lyra e seu pleno domínio narrativo dão a impressão que ele conhece como ninguém esse universo. E conhece, pois viveu aquele período maravilhoso.

Seus personagens são cativantes e facilmente reconhecidos por quem viveu o underground naquela época. Mesmo quem não participou deste universo nos anos 90 deve se divertir com prazer em acompanhar tais personagens. Até porque, segundo relatos de amigos meus, esse gueto se renovou, mas não mudou tanto assim.

Com influencias de autores como Nick Hornby, os Irmãos Hernandes e Terry Moore e HQs underground americanas, só para citar alguns autores, o livro da Menina Infinito compartilha suas ambições e paixão pelo rock indie e diverte pra valer, sem grandes pretensões.

Não tem como não se apaixonar pela Mônica. Até o grande cantor Morrisey tem uma queda por ela.

Imperdível!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

DataTársis informa: O “maior gibi do mundo” está de volta

Por Társis Salvatore

Gosto de muitos super-heróis e, como todo maldito fã de grupos especiais, nunca escondi que o meu favorito era o Quarteto Fantástico, criação seminal da genial dupla Stan Lee/Jack Kirby.

Foi o primeiro grupo de heróis da Marvel, responsável por uma revolução no modo como os super-heróis existiam e se portavam. Todo mundo já sabe história: quatro tripulantes de um foguete experimental são irradiados pelos raios cósmicos e ganham poderes especiais, decidindo, assim, dedicar suas vidas para proteger a Terra da vilania. Aí começa uma carreira sensacional, com altos e baixos e algumas aventuras inesquecíveis.

Não lembro como comecei a comprar, gostar e colecionar as histórias do Quarteto, mas imagino que foi nos anos 80. Além de serem poderosos e com diferentes e marcantes personalidades, eu sempre gostei demais da idéia de que o Quarteto é uma família. Talvez porque a família seja uma coisa complexa, estranha, maravilhosa, confusa, boa e de que dificilmente conseguiremos nos livrar. Imaginem isso tudo com superpoderes!

Peguei boas fases do grupo, com o trabalho de grandes criadores. Stan Lee, claro, e também John Byrne e mais tarde Mark Waid são os que me vêm à mente e que me agradaram muito quando se debruçaram sobre o Quarteto Fantástico.

Muitas revistas foram lançadas, muitos especiais, encadernados, e de um modo ou de outro acabei adquirindo a maioria deles, mesmo sabendo que nem todos eram bons.

Agora fico feliz em descobrir que neste mês a revista Universo Marvel da Panini, mais especificamente a edição 44, está chegando no Brasil com um excepcional arco de histórias do Quarteto Fantástico, preparado no capricho pela prestigiada dupla européia de criadores Mark Millar (roteirista, escocês) e Bryan Hitch (ilustrador, inglês).

Esses caras fizeram um trabalho sensacional recentemente em outras revistas, o que os credenciou a assumir o Quarteto. Relembrando, Millar trabalhou em Supremos, Authority, Superman, Homem-Aranha; Hitch em Authority, Supremos, Mulher Hulk e outros.

Eu já li metade dessa nova fase do Quarteto em scans, o que obviamente não vai me impedir de comprar a revista em papel. Eu dificilmente guardo scans, são um saco para ler, não fazem parte da minha coleção. Mas pelo menos posso adiantar aos queridos leitores e passantes desse espaço que esta dupla criativa coloca novamente o Quarteto Fantástico em destaque, já que a revista da superequipe, no passado, já foi conhecida como “o maior gibi do mundo”.

A trama começa quando uma ex-namorada de Reed Richards aparece com informações terríveis sobre o destino da Terra e, daí em diante, a família de super-heróis precisa enfrentar eventos apocalípticos, espaciais e, como sempre, lutar salvar o mundo.

É gostoso saber que velhos heróis podem aparecer em novas e grandes histórias. Essa maravilhosa capacidade que os gibis têm de nos divertir e nos levar a sonhar com o impossível é o que faz com que os quadrinhos de heróis sejam tão singulares, mesmo em meio a tantos problemas.

A vinda dessa nova fase certamente me fará abrir o arquivo e reler grandes histórias do passado. Essa magia vai ajudando a manter a mente jovem, o coração aberto e a disposição para viver grandes aventuras. Reais ou não.